sábado, 11 de dezembro de 2010

ACIDENTES FATAIS EM CORRIDAS DE QUARTO-DE-MILHA

Acidentes fatais nas corridas têm atraído significativa atenção da mídia norte americana ao longo dos anos. Os esforços para reduzir o número de mortes nas corridas têm sido maiores por causa desta atenção prestada pela imprensa. As causas dessas lesões tem sido extensivamente estudada nos PSI ao longo dos anos para determinar o causa dos acidentes de corrida e assim reduzir a sua incidência. As lesões fatais em Quarto de Milha não tem sido estudadas na mesma medida como na indústria PSI, mas já se tem um padrão definido, como abaixo:

Referente ás corridas
39% aos 3 anos de idade
32% aos 2 anos de idade.
55% em corridas de 275 mts
66% após a linha de chegada
60% em corridas de claiming (36%) ou maiden claiming (24%)
17% ocorreram na nona corrida do dia
23% largaram da baliza 4
25% terminaram entre 1°a 3°
34% não terminaram a corrida
78% dos cavalos feridos não caiu, apesar de o jóquei saltar em 14% das vezes
28% não houve incidente identificável que possa ter levado à lesão
21% colisões
21% tropeços

Referente ás lesões
72% lesões músculo esqueléticas,
39% na articulação do boleto
33% fratura de sesamóide
6% ruptura do aparelho suspensor do boleto
24% na articulação do carpo (joelho)
9% fratura de vértebra
8% fraturas de escapula
2% fratura de úmero
2% fratura de tíbia
A pior das lesões observadas foram as que envolveram a face dorsal do metacarpo.
Existem inúmeros relatos provenientes dos USA, Inglaterra e Austrália  sobre lesões fatais sofridas por cavalos de corrida PSI. Alguns resultados diferentes relatados nestes trabalhos foram explicados por variações nas características do local e estilo de corrida.
Existem muitas diferenças entre PSI e QM. A velocidade de corridas clássicas do Quarto de Milha acompanha a forma como o nome da raça evoluiu. Corridas de cavalos Quarto de Milha tem sido cronometradas em quase 80 Km/h ao atravessarem a linha de chegada. A distância das corridas é menor em corridas de Quarto de Milha, e na maioria das corridas são executadas em 402 mts ou menos. Além disso, nas corridas acima de 300 metros foi demonstrado um aumento de velocidade em cada segmento da corrida, enquanto  que no PSI tendem a ganhar velocidade no meio da corrida se cansando perto do final. Na corrida de Quarto de Milha não há curvas, embora a desaceleração ser realizada em uma. Devido à natureza velocista da raça Quarto de Milha, os cavalos tendem a correr lado a lado em linha reta,  nunca deixando a sua posição ao longo do percurso. Isto contrasta com o PSI que normalmente correm agrupados para se pouparem.
Existem poucos relatos sobre corridas de Quarto de Milha na literatura americana. Em trabalho realizado por Cohen et al a partir de 1999, as lesões músculo-esqueléticas e fatores de risco associados a essas lesões foram estudado em cavalos Quarto de Milha de corrida no Texas e Novo México. Eles descobriram que a incidência de fatalidades foi menor no Quarto de Milha comparada á mesma população de PSI. Eles também descobriram que um inspeção pré-corrida pode ajudar a diminuir as lesões durante a corrida e que os cavalos de 2 anos de idade não tinham mais tanto risco de sofrer um ferimento como os cavalos mais velhos.
 Em outro relatório envolvendo cavalos Quarto de Milha de corrida, Balch et al, descobriram que o numero de galopes executados é fator de risco para lesões, enquanto que o comprimento do membro locomotor não foi determinante.
A pior das lesões é a que envolve a parte de trás do metacarpo (joelho), devido a ocorrerem repentinamente e, geralmente resultarem em uma queda horrível, deixando o joquei totalmente despreparado. Felizmente apenas 22% dos cavalos sofre uma queda. Os acidentes  envolvendo a articulação do boleto são mais graves se o incidente ocorreu durante a corrida, impedindo o cavalo de se levantar. 
Nestas lesões, ocorre um passo em falso visível, mas o cavalo não parece muito incomodado e não cai. Se a lesão ocorre durante a corrida, quando o cavalo está em alta velocidade, é quase impossível para o joquei  manter o cavalo correndo e, portanto, uma lesão mais grave, muitas vezes resulta em instabilidade visível da articulação do boleto. Neste ponto, é difícil para o jóquei permanecer sobre o cavalo, prefere cair ou pular mesmo se o cavalo não cair. A maioria das lesões catastróficas envolvendo o carpo não resulta em uma queda. O jóquei parece detectar o ferimento rapidamente e é capaz de parar o cavalo. A observação destes padrões de lesão pode levar a uma prevenção mais eficaz.
Outra conclusão foi que 60% dos cavalos fatalmente feridos foram inscritos em uma corrida de claiming ou maiden claiming.
Em recente publicação a AAEP sugere mudanças para os páreos de claiming de PSI "A fim de proteger o bem-estar e segurança de cavalos neste nível”. Especificamente," cavalos que não terminaram a corrida ou aqueles que tiveram uma lesão fatal durante a corrida permanecem de propriedade do proprietário original”. Alterar tal regra seria estimular a prática de correr cavalos lesionados em provas de claiming. Os resultados deste estudo apoiam uma mudança semelhante em corridas de Quarto de Milha.

Provavelmente a maior diferença entre PSI e Quarto de Milha de corrida é que 66% das lesões ocorreram após a linha de chegada nas corridas de Quarto de Milha e que 78% dos QM fatalmente feridos não cai. Embora não hajam dados oficiais, relatos de veterinários de PSI sugerem que nesta raça tende a ocorrer mais lesões durante a corrida e os cavalos caiem mais como resultado desta lesão, devido ao cansaço pelas longas distâncias das provas.
Os aspectos de segurança da corrida, tanto para o cavalo e joquei, deve ser de grande importância para o veterinário. Apesar de existirem inúmeros estudos enfocando turfe, poucos têm abordado a indústria de corridas de cavalos.
Estes resultados destacam algumas das diferenças entre Quarto de Milha e Puro Sangue Inglês que podem auxiliar os funcionários nas pistas de corrida de ambas as raças.

domingo, 21 de novembro de 2010

TRAUMAS EM CANELAS DE CAVALOS - Parte II

Exostose (“Sobreossos”)
Os sobreossos são periostites proliferativas que formam uma massa óssea ou calo ósseo nos pequenos metatarsos (segundo e quarto metacarpiano). São comumente vistos nos membros anteriores dos animais jovens, mas também podem ocorrer nos posteriores. Devido á posição anatômica (face interna da canela) o segundo osso metacarpiano é o mais afetado.
Causa
A deposição de tecido ósseo é uma resposta a uma entorse do ligamento interósseo, trauma ou fratura do osso em questão. No primeiro caso o sobreosso tem a designação de inativo, por ser apenas uma reação óssea normal acompanhada da formação de calo ósseo. Já as fraturas representam a designação ativa, e geralmente a sua presença é acompanhada de inchaço e dor local quando o membro é flexionado. O sobrepeso e os joelhos “off-set” são os dois principais fatores predisponentes.
Diagnóstico
Além da tradicional visualização e palpação, o RX é necessário para diferenciar entre inativo e ativo e qual linha terapêutica tomar. É de salientar que nem sempre os sobreossos são causa de claudicação, sendo a sua maioria reflexo de estresse durante o primeiro ano de treinamento ou apenas lesão de ordem estética.
Tratamento
A terapia é direcionada á redução da atividade física sem perder dias de treinamento para redução da dor. Se dor intensa, o repouso absoluto é indicado. O tratamento inclui o uso de drogas antiinflamatórias locais e sistêmicas. Terapia térmica com gelo também poderá ser utilizada nas fases agudas. Também nesta fase poderão ser realizadas aplicações subcutâneas locais de corticóides, mantendo após o membro enfaixado com ataduras e bandagens.
Para os casos que não apresentam sinais clínicos de inflamação ou são crônicos, é indicado o uso de revulsivos locais, provocando uma reação inflamatória local com reabsorção secundária do tecido ósseo e diminuição do sobreosso.
Prognóstico
Em geral o prognóstico é bom e não altera a performance atlética dos animais. No entanto, em alguns casos, o ligamento suspensório poderá ser atingido dificultando a cura do processo e aumento o tempo de retorno ao treinamento. Nos casos em que a conformação física do animal tende para estreitamento de base e mãos para fora, o prognóstico é reservado e a cura a longo prazo.

Fraturas de estresse do terceiro osso metacarpiano
 As fraturas de estresse atingem principalmente o córtex frontal do principal osso da canela em cavalos PSI jovens. Podem ocorrer também na parte posterior do osso bem como nos côndilos (bordas redondas visualizadas nas extremidades dos ossos longos) medial e lateral.

a) Fraturas do córtex frontal do terceiro metacarpiano.
- Acomete os cavalos jovens em início de campanha atlética.
- É diferente da dor de canelas, porém as fraturas poderão ser consideradas o estágio final desta condição.
- Ocorrem geralmente na porção medial e tem uma curvatura orientada para cima e posterior, podendo atingir a porção interna do osso terceiro metacarpiano.
- Os sinais clínicos são de dor e claudicação unilateral, podendo ocorrer bilateralmente. Ocorre dor á palpação e poderá ocorrer tumefação local.
- O diagnóstico final é realizado através de RX, sendo vistas mais facilmente nas posições lateromedial ou oblíqua dorsomedial-palmarolateral.
- O tratamento utilizado é descanso total por um período mínimo de 8 semanas. A resolução total poderá demorar de 3 a 6 meses. Durante os estágios iniciais é indicado o uso de hidroterapia e drogas antiinflamatórias. Após este período mínimo, o animal deverá ser reavaliado radiograficamente, e se constatada reparação óssea, o cavalo poderá iniciar gradativamente os trabalhos de treinamento. Caso contrário, permanecerá em descanso e poderá até ser submetido a procedimentos cirúrgicos.
- Tratamentos alternativos que poderão ser utilizados com a terapia tradicional são a crioterapia, fototerapia e fonoterapia.
- O prognóstico é bom.


b) Fraturas de estresse na face posterior (palmar) do terceiro osso metacarpiano.
- Acomete animais de maior idade em corrida.
- São causadas por concussão continuada durante exercício, resultando em micro fraturas intracorticais.
- Os sinais clínicos são baseados no histórico de leve claudicação unilateral e constante.
- A claudicação desaparece ao bloqueio de nervo local (nervo lateral palmar). Em alguns casos até o nervo ulnar terá de ser bloqueado, dependendo da área afetada e sua inervação. No entanto, este método não é específico para diagnóstico.
- O diagnóstico é feito com base no RX com posição dorso palmar. A ultrassonografia deverá ser realizada em conjunto para verificar se o ligamento suspensório não foi afetado.
- O tratamento segue os mesmos critérios dos usados para as fraturas frontais e o prognóstico é bom. A única diferença é que após o período de descanso, deverá ser realizado exercício físico de alta intensidade.

c) Fraturas de estresse palmares dos côndilos (extremidades ósseas).
- Afetam a face traseira dos côndilos da articulação do boleto e geralmente precedem as fraturas completas dos mesmos.
- São fraturas características de animais jovens, resultados de reações osteoescleróticas com locais secundários de micro fraturas nos côndilos mediais e laterais (face interna e face externa do osso, respectivamente).
- Os sinais clínicos são claudicação unilateral de moderada a grave, sendo exacerbada á flexão do boleto. Através RX, a técnica radiográfica é complexa para se conseguir visualizar este tipo de fratura.
- O tratamento consiste em descanso total no mínimo por 8 semanas, seguido de avaliação radiográfica. Havendo resposta positiva, o cavalo poderá iniciar os trabalhos gradativamente.
- Devido a este tipo de fratura ser a provável precursora das fraturas completas, o diagnóstico precoce é vantajoso para o prognóstico. Não ocorrendo a fratura total, o animal terá grandes chances de recuperar sua total forma física.

sábado, 20 de novembro de 2010

TRAUMAS EM CANELAS DE CAVALOS - Parte I

Introdução
O cavalo de corrida é comumente submetido a reações ósseas durante o exercício. As doenças que afetam as canelas atingem cerca de 70 a 80% dos cavalos no seu primeiro ano de treinamento e, principalmente, quando treinados em velocidades de prova.
Dentre estas afecções as mais comuns são a dores de canelas, que podem ser as periostites, inflamações do tecido ósseo periférico denominado periósteo; as fraturas por estresse e as exostoses, vulgo sobreossos.

O que é o tecido ósseo?
O tecido ósseo, apesar de ser um dos mais duros do corpo, é um tecido vivo e dinâmico. O osso é formado por células ósseas que secretam fibras de colágeno nas quais, subsequentemente, o cálcio será depositado. A unidade funcional do osso é constituída de cilindros orientados longitudinalmente pelo interior dos quais passam vasos sangüíneos e um nervo. Esses cilindros são compostos por camadas concêntricas denominadas lamelas. Embora, de maneira geral, a forma e a estrutura da maioria dos ossos seja geneticamente pré-determinada, a massa, a estrutura tridimensional e as características micro estruturais podem mudar. As mudanças da mecânica ambiental podem ser transformadas em repostas biológicas pelo osso.

Periostites (“Dor de canelas”)
São micro lesões que levam a uma reação inflamatória do córtex dorsal ósseo do osso terceiro metacarpiano com deposição óssea irregular nos locais afetados. O processo normal leva a um espessamento ósseo, e quando este processo adaptativo termina, o osso principal da canela se torna resistente a danos futuros. Esta alteração ocorre apenas nos membros anteriores e pode ser diagnosticada em ambos os membros ou em apenas em um.
Causas
São causadas caracteristicamente por um aumento repentino na intensidade de trabalho e por excesso de exercícios de galope á velocidade de corrida durante o primeiro ano de treinamento. Durante este período, o terceiro metacarpiano é sujeito a novos e intensos padrões de carga, diferentes daqueles do início do treinamento, onde se exercitam os cavalos apenas a trote e leves galopes. Este aumento de treinamento sobrecarrega o córtex dorsal do osso principal da canela, resultando em inflamação.
De certa maneira, a força e a torção aplicadas sobre os ossos produzem dois estímulos: um no processo de ajustes da arquitetura (mecanismo de adaptação) e outro por meio do comportamento das células das superfícies dos ossos (modelamento e remodelamento), sendo que o processo de remodelamento pode ocorrer nas superfícies externa, interna (canal da medula óssea) e na própria matriz óssea. É de salientar que até os 24 meses de idade a face dorsal do osso terceiro carpiano é mais fina do que a palmar, favorecendo o aparecimento da dor de canelas.
Sinais clínicos
Os sinais são claudicação, diminuição da performance atlética e súbita relutância ao exercício, que melhora com descanso e piora com o trabalho. A claudicação é pior em terrenos duros e varia de leve a moderada entre os animais afetados. Quanto mais o cavalo trota mais ele mostra dor, e sente alívio quando é levado apenas ao passo.
Diagnóstico
Geralmente não são detectados nem calor nem inchaços. Porém, poderá ser visualizada em alguns casos uma leve distensão da cápsula articular do joelho. Existe também a presença de dor á palpação do membro afetado. Radiologicamente, as lesões não são observáveis durante o estágio inicial, sendo apenas diagnosticadas alterações de imagem típicas da dor de canelas, como extensa linha radioluscente orientada longitudinalmente ao osso principal da canela.
Fatores predisponentes
Os fatores que podem contribuir para o surgimento das dores de canela, além das causas já citadas,  são o sobrepeso, nutrição inadequada com carência de cálcio e fósforo, idade precoce para início dos treinamentos, e biodinâmica corporal desequilibrada, ou seja, não só os aprumos como também ferrageamento executado de forma errada.
Tratamento
A claudicação se resolve espontaneamente após 10 a 15 dias de descanso. O período de repouso é em média 60 dias, e após inicia-se o exercício a passo, atingindo a normalidade gradativamente de 3 a 4 semanas. A terapia visa o espessamento rápido do córtex ósseo, para que não ocorram recidivas. Tipicamente se utilizam antiinflamatórios e termo terapia nos primeiros dias, seguida de revulsivos como blisters para promover a reagudização e espessamento do córtex ósseo.
Prognóstico
Esta afecção atrasa em dois meses o treinamento da maioria dos potros em início de campanha. No entanto, é de fácil resolução e o prognóstico bom para a volta ás corridas. A recidiva ocorre apenas em casos mais graves, onde não houve um diagnóstico preciso, ou o animal ficou submetido ao trabalho contínuo com conseqüente fratura, ou não houve tempo necessário para a recuperação total. Alguns casos necessitam até 110 dias para se recuperarem totalmente. No entanto, os animais tratados nunca mais apresentam os sintomas da afecção.
Prevenção
Dentre alguns métodos preventivos temos a densitometria óssea, capaz de avaliar quando um animal jovem está apto a iniciar seu treinamento para corrida, o radiodiagnóstico, o uso da análise biomecânica e do ferrageamento correto, e o uso de procedimentos de treinamento adaptados ao não surgimento de lesões.

Exostose (“Sobreossos”)
Os sobreossos são periostites proliferativas que formam uma massa óssea ou calo ósseo nos pequenos metatarsos (segundo e quarto metacarpiano). São comumente vistos nos membros anteriores dos animais jovens, mas também podem ocorrer nos posteriores. Devido á posição anatômica (face interna da canela) o segundo osso metacarpiano é o mais afetado.
Causa
A deposição de tecido ósseo é uma resposta a uma entorse do ligamento interósseo, trauma ou fratura do osso em questão. No primeiro caso o sobreosso tem a designação de inativo, por ser apenas uma reação óssea normal acompanhada da formação de calo ósseo. Já as fraturas representam a designação ativa, e geralmente a sua presença é acompanhada de inchaço e dor local quando o membro é flexionado. O sobrepeso e os joelhos “off-set” são os dois principais fatores predisponentes.
Diagnóstico
Além da tradicional visualização e palpação, o RX é necessário para diferenciar entre inativo e ativo e qual linha terapêutica tomar. É de salientar que nem sempre os sobreossos são causa de claudicação, sendo a sua maioria reflexo de estresse durante o primeiro ano de treinamento ou apenas lesão de ordem estética.
Tratamento
A terapia é direcionada á redução da atividade física sem perder dias de treinamento para redução da dor. Se dor intensa, o repouso absoluto é indicado. O tratamento inclui o uso de drogas antiinflamatórias locais e sistêmicas. Terapia térmica com gelo também poderá ser utilizada nas fases agudas. Também nesta fase poderão ser realizadas aplicações subcutâneas locais de corticóides, mantendo após o membro enfaixado com ataduras e bandagens.
Para os casos que não apresentam sinais clínicos de inflamação ou são crônicos, é indicado o uso de revulsivos locais, provocando uma reação inflamatória local com reabsorção secundária do tecido ósseo e diminuição do sobreosso.
Prognóstico
Em geral o prognóstico é bom e não altera a performance atlética dos animais. No entanto, em alguns casos, o ligamento suspensório poderá ser atingido dificultando a cura do processo e aumento o tempo de retorno ao treinamento. Nos casos em que a conformação física do animal tende para estreitamento de base e mãos para fora, o prognóstico é reservado e a cura a longo prazo.

Fraturas dos metacarpos acessórios (segundo e quarto metacarpiano)
Fraturas agudas dos segundo e quarto metacarpianos são caracterizadas por calor no local, edema e dor, com variáveis graus de claudicação. As causas variam entre concussão intermitente a traumas diretos.
O diagnóstico é realizado através de palpação local do membro em flexão e RX, no qual será visualizada uma linha de fratura através do osso. A fratura poderá ser completa ou incompleta. Neste último caso, a fratura está associada a alterações proliferativas do periósteo ou espessamento do osso afetado.
O tratamento inclui primeiramente a redução do processo inflamatório, como citado para os sobreossos. Após, o procedimento indicado para as fraturas situadas na metade mais fina é a remoção cirúrgica. As encontradas na porção inicial, que é a parte mais larga dos ossos metacarpianos acessórios, são tratadas através de repouso e formação de calo ósseo para solidificação da fratura.
Cuidados devem ser tomados para não haver processo infeccioso local devido á lesão dos tecidos adjacentes (ligamentos, tendões, subcutâneo e cápsulas articulares), levando a um prognóstico reservado do caso.
No caso de tratamento ser conservativo e a formação do calo ósseo atingir o ligamento suspensório, a cirurgia também é indicada.
O prognóstico para o tratamento das fraturas depende do comprometimento do ligamento suspensório. No entanto, para a maioria o prognóstico para retorno ás atividades atléticas é bom.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

QUARTO-DE-MILHA de corrida: origens


Three Bars vencendo.
Sessenta anos atrás, a AQHA foi organizada para preservar e perpetuar uma linhagem única de cavalos tão superiores em tipo, velocidade e capacidade atlética, que foram reconhecidos como uma raça à parte, mesmo antes de terem um nome. Eles eram chamados de "corredores de um quarto de milha" ou "cavalos quarto de milha" em meados do século XVIII.
O Quarto de Milha iniciou a formar-se em 1611 pelo cruzamento dos cavalos trazidos pelos ingleses, pelos espanhóis e cavalos mustangues. Na sua maioria descendem de cavalos importados da raça Puro Sangue Inglês para a América,  a partir dos quais desenvolveu-se o Jockey Club's American Stud Book, e quando cruzados com os nativos cavalos coloniais americanos, originaram a AQHA. Nenhuma das associações  teve à época da colonização um livro genealógico americano, somente depois da Guerra Civil, mas os cavalos foram reconhecidos e classificados pela distância que corriam melhor. Os velocistas foram designados como “short”, ou cavalos “quarto-de-milha”; e os stayers corriam de uma a quatro milhas e ficaram conhecidos como Puro Sangue Inglês (PSI). Alguns correram com sucesso em ambas as distâncias.
Os primeiros registros de corridas da raça Quarto de Milha remontam a 1674, em Henrico County, Virginia. Cada corrida era composta por dois a três cavalos que corriam pelas ruas de vilas e pistas, e até mesmo em clareiras de áreas desmatadas. Essa corrida de velocidade em pequenas distâncias nas primeiras colônias foi o primeiro exemplo de corrida do cavalo Quarto de Milha nos Estados Unidos. Na época em que a guerra da Independência começou, os colonizadores tinham-se tornado muito afeiçoados à corrida de Quarto de Milha (402 metros).
Os relatos daquela época mostram que, por volta de 1690, grandes premiações eram oferecidas para estas corridas. Enormes plantações freqüentemente mudavam de mãos como resultado de apostas feitas nessas disputas. A American Quarter Horse Association (AQHA) foi fundada em 1941, no Texas, e com ela a corrida organizada de Quarto de Milha teve início em Tucson, Arizona. Em 1943, uma pista foi construída e projetada especialmente para este fim, em Rillito Park, Tucson.
Dash For Cash
A popularidade das corridas de curta distância foi difundida na América desde os tempos coloniais, e os pedigrees de muitos destes cavalos foram documentados e preservadas ao longo dos anos. O melhor sangue era muito valorizado, antes mesmo de o Quarto de Milha tornar-se uma raça, e era usado não só para fins de corrida, mas compreendeu a classe mais alta de cavalos nos ranchos e para trabalho. Sua superioridade foi inquestionável e testada sob as rigorosas exigências dos fazendeiros e trabalhadores, que precisavam de um cavalo com velocidade, resistência, “cow sense” e boa disposição para treinamento. Eles simplesmente não tinham iguais.
Medidas de Dash For Cash
Quais eram as qualidades dos cavalos coloniais que os fez tão singulares? As descrições físicas do cavalo PSI Janus, um neto do Godolphin Arabian, dada 200 anos antes da formação da American Quarter Horse Association, eram consideradas o tipo ideal em 1940. Ele tinha um pouco mais de 1,42 m, um belo cavalo de físico compacto, com ossos fortes, traseira curta e tremenda musculatura, orelha pequena sempre alerta, mandíbulas grandes, paleta musculosa.  Importado da Inglaterra, em 1752, ele se tornou o primeiro garanhão na América a popularizar o cavalo tipo “Quarto-de-Milha”, tendo grande sucesso como reprodutor,  que passou suas características, semelhanças e velocidade com consistência surpreendente. Sua influência foi fortemente sentida por muitas gerações. A aparência física da maioria dos cavalos Quarto-de-milha pode ser remetida á de Janus. O cavalos Quarto-de-Milha atuais ainda conservam, em sua maior parte, a sua herança de velocidade e capacidade atlética inalterada, apesar de serem alguns centímetros mais altos do que seus antepassados coloniais. Isto pode ser devido a uma melhoria da dieta e do ambiente. No entanto, nem todos os cavalos modernos registrados se encaixam nesse molde. Sessenta anos de seleção dentro do pool genético criado para intensificar certas características resultou na alteração da aparência e desempenho de algumas linhagens. No início dos anos 40, quando a AQHA se encontrava na sua formação, foi considerado por muitos que o cavalo fundamental, o tipo "bulldog", era o ideal e superior, porque ele tinha muito pouco de sangue do PSI.
Easy Jet
A Associação desenvolveu normas e requisitos para o registo, que incentivou o desenvolvimento de linhagens deste tipo de cavalo, desencorajando a aceitação á base de cavalos PSI. O interesse na raça recém-formada era grande, e muitos defensores sinceros do "buldogues" eram muito influentes no desenvolvimento de certas idéias nas mentes dos entusiastas do Quarto-de-milha.
Ao documentar a ascendência de Quarto de Milha inicial, encontramos uma quantidade surpreendente de Puro Sangue Inglês, sendo alguns dos quais sempre admitidos, outros apenas casualmente, e outros negados, a fim de ser aceite pela associação de registo.
Quando você percebe como um bom cavalo era valorizado e respeitado pelos homens, nos tempos coloniais, e o preço enorme pago pelo banco genético por aqueles que eram modestos em recursos, percebe-se que não queriam nada menos que o melhor. Havia uma necessidade e orgulho de ter plantel superior, não havia nenhuma razão para perpetuar animais inferiores.
Os primeiros criadores, tais como William Anson, Rancho Waggoner, King Ranch, CS Ranch, etc, todos utilizaram os melhores Puro Sangue Inglês que poderiam encontrar como base para seus rebanhos. Sua reprodutoras tinham grandes concentrações deste sangue que eles cruzaram tão bem sucedidamente com os primeiros Quarto-de-Milha tipo “bulldog”. A US Remount foi outra fonte de alta genética Puro Sangue Inglês, que estava bem estabelecida em todo o país naquela época.
O teste do tempo provou que eles sabiam exatamente como conseguir o melhor. Como seria a criação da raça Quarto-de-Milha hoje sem o sangue de Janus, Sir Archy, Peter McCue, Traveler e, mais recentemente, THREE BARS? A história nos dá fortes indícios de que o Quarto de Milha é rejuvenescido por infusões periódicas de certo tipo de genes, mais exatamente a partir de cruzamentos com Puro Sangue Inglês. Um estudo interessante é apresentado em "The Real American Quarter Horse, Versatile Athletes Who Proved Supreme ", escrito em 1991.
No entanto, os tempos modernos nos exigem outro tipo de estudo, que possa ter resultado efetivo dentro das exigências atléticas atuais.
Acredito muito no poder da influência genética, onde a presença de determinada porcentagem de genes de alguns indivíduos fazem a diferença, dependendo da qualidade de sua fonte materna. Hoje os inbreedings e os outcross disputam os primeiros lugares entre os cruzamentos.
Abaixo as principais influências genéticas da corrida na atualidade, pesquisadas entre todos os ganhadores de mais de U$ 100 mil no ano hípico passado, por ordem de ocorrência.

1- DASH FOR CASH (cruzado – WORLD CHAMPION – AQHA HALL OF FAME)
2- BEDUÍNO (PSI – AQHA HALL OF FAME)
3- Outcross (sem cruzamento do mesmo indivíduo nas 5 primeiras gerações)
4- FIRST DOWN DASH (apêndice – WORLD CHAMPION – AQHA HALL OF FAME)
5- EASY JET (cruzado – WORLD CHAMPION – AQHA HALL OF FAME)
6- JET DECK (apêndice – WORLD CHAMPION – AQHA HALL OF FAME)
7- THREE BARS (PSI – AQHA HALL OF FAME)
8- GO MAN GO (cruzado – WORLD CHAMPION – AQHA HALL OF FAME)
9- SPECIAL EFFORT (cruzado – WORLD CHAMPION – AQHA HALL OF FAME)
10- RAISE YOUR GLASS (PSI – AQHA SIRE)

Espero que a leitura tenha sido agradável para os amantes deste espetacular cavalo que é o QUARTO-DE-MILHA.

Referências:
Roots: foundation Quarter Horse bloodlines