segunda-feira, 5 de julho de 2010

A criação do cavalo atleta: Parte I


PARTE I: DA COBERTURA AO PARTO

Devido ao constante progresso das associações de criadores de cavalos e ao alto nível competitivo e comercial impostos, o cavalo tem se transformado num verdadeiro atleta, tendo seu desempenho exigido ao máximo. Face a esta realidade, fez-se necessário o desenvolvimento profissional técnico na mesma proporção, apto a suprir as necessidades dos criadores e proprietários do cavalo. Podem se incluir aqui a criação e reprodução eqüinas, sendo estas, áreas de grande importância dentro de uma propriedade. Os resultados competitivos tem início aqui, onde a base dos atletas a serem criados deverá ser sólida.

GARANHÃO
Afim de facilitar o manejo durante a estação de monta, é imperativo programar a utilização do garanhão quanto ao número de éguas a serem cobertas e tipo de cobertura a ser realizada, ou seja, monta natural ou inseminação artificial, e nesta, sêmen fresco, resfriado ou congelado. Para que isto ocorra terão de se realizar exames físicos e andrológicos antes do início da temporada. Estes “exames de Outono” são úteis para identificar a capacidade reprodutiva do animal, e assim selecionar o melhor método de cobertura a ser utilizado.
Em haras onde o manejo reprodutivo é intenso, este exame poderá ser realizado mensalmente, com o objetivo de se estabelecer uma curva anual baseada na concentração espermática, propiciando assim excelente controle do sêmen e antecipando alterações bruscas na taxa de fertilidade..
Alguns cuidados quanto ao manejo deverão também ser tomados antes do inicio da atividade reprodutiva. Entre os mais importantes se destacam a manutenção de um estado corporal atlético, pronto para coberturas diárias, evitar vacinas que possam causar febre, pois isto se refletirá negativamente durante a temporada e manter uma rotina diária durante a estação de monta, condicionando assim o animal e evitando qualquer tipo de estresse.
Quanto á alimentação, evitar mudanças na qualidade e quantidade da ração a ser ministrada. Poderão ser utilizados neste período, precursores de ácidos graxos polinsaturados para aumentar em até 1,5 a concentração espermática e a qualidade do sêmen congelado, prática esta que está sendo bastante difundida.

ÉGUAS
O foco da reprodução está na taxa de concepção das reprodutoras. O resultado final da temporada de monta acontece sempre no ano seguinte, com o nascimento do potro. Esta sim é a real taxa de aproveitamento reprodutivo. No entanto, vários fatores influenciam este índice e o sucesso depende da perícia com que são manejados.
Entre os fatores que diretamente determinam a eficiência reprodutiva das éguas estão o estado corporal, tipo de alimentação, idade, condição reprodutiva (vazia, virgem ou parida), tipo de cobertura a ser empregada e a presença de infecções.
A reprodutora deverá estar saudável para a concepção, isto é, ter um estado corporal atlético compatível com a idade, alimentação balanceada, estar ciclando corretamente e possuir sanidade reprodutiva, ou seja, sem problemas físicos e infecciosos no trato reprodutivo.
Levando em consideração a cobertura, as afecções poderão ser divididas em: pré-cobertura (anestro, endometrite, cistos uterinos, falha em mostrar cio, problemas físicos) e pós-cobertura (endometrite pós-cobertura, falha na ovulação, morte embrionária precoce, aborto e distocia).
Estes problemas poderão ser atenuados com o uso de algumas práticas como:
• exames ginecológicos realizados nas éguas vazias antes da temporada detectando anormalidades e sua pronta resolução antes do inicio da estação;
• programas de luz artificial, inclusive para éguas em anestro pós-parto, ajudando na atividade ovariana;
• uso de rufião na propriedade;
• escolha correta das éguas que deverão ser cobertas no cio de potro, evitando assim contaminações uterinas;
• determinação do tipo de cobertura mais apropriado para as éguas problemas e idosas;
• manutenção de programa nutricional adequado para cada fase gestacional;
• acompanhamento veterinário mensal da égua prenha.

Todos estes fatores se aplicam também á prática da transferência de embriões, onde a sanidade, tanto da doadora como da receptora, resulta em melhor qualidade e maiores taxas dos embriões coletados e sua conseqüente concepção.
Atualmente, a profilaxia é a prática de maior atenção nos eqüinos. Um programa de vacinação correto de um plantel, evitará surtos infecciosos e conseqüentes abortos, o uso de imuno- estimulantes uterinos evita não só endometrites inconvenientes como também algumas placentites, e a vermifugação deverá ser levada em consideração, já que alguns parasitas passam da mãe para o produto.
O importante é estabelecer um ambiente saudável na propriedade, priorizando a convivência com a flora existente e não a sua modificação ou total degradação.
Outro fator que poderá levar a alterações no manejo da reprodutora é a determinação do sexo do feto, realizada entre 60 e 70 dias de gestação. Isto possibilitará os criadores de tomarem decisões em relação ao objetivo comercial da égua e do futuro produto, local de parto e escolha de garanhão.
Quanto ao parto, a égua deverá ser preparada um mês antes e ser planejado de que forma se dará, dentro ou fora da cocheira, com intervenção humana ou não. De qualquer forma, é importante que seja assistido, pois desta maneira poderão ser evitadas várias complicações como lacerações nas éguas e asfixia dos recém nascidos, bem como evitar acidentes entre a nova unidade égua-potro.

SUGESTÕES DO AUTOR
1. Os garanhões devem estar em bom estado nutricional, prontos para a temporada. Caso isto não seja possível, é preferível que estejam um pouco acima do peso do que abaixo. O ideal seria trabalhar os animais antes da estação, para adquirirem bom condicionamento físico e boa libido.
2. Condicionar os garanhões previamente quanto ao tipo de cobertura, ou seja, monta natural ou coleta de sêmen, e esta última em égua cavalete ou em manequim. Tentar não misturar as práticas durante a mesma temporada.
3. A quantidade de ração a ser fornecida ás éguas prenhas não deverá ser diferente das demais éguas até o último trimestre, onde então deverá ser aumentada a quantidade em até 1,4 vezes. O consumo de água nesta altura também é importante e deverá ser oferecida á vontade, evitando assim problemas como desidratação e cólicas.
4. A parição não deixa de ser uma atividade atlética. Manter as éguas a campo é um bom exercício, pois permite liberdade de movimentos e melhor oxigenação tecidual.
5. Devido aos embriões eqüinos serem mais frágeis do que outras espécies, especialmente antes dos 30 dias de gestação, tentar evitar causas de estresse que levem a um desequilíbrio hormonal uterino com conseqüente morte embrionária.
6. A vacinação e vermifugação são práticas sanitárias seguras de serem utilizadas nas éguas prenhas sem problemas maiores.
7. Assistir aos partos auxiliará no reconhecimento precoce de futuros problemas com égua e potro, sendo fator determinante para a sobrevida de ambos.

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