segunda-feira, 5 de julho de 2010

A criação do cavalo atleta: Parte II


PARTE II: DO NASCIMENTO AO DESMAME

O parto é um dos adventos mais esperados pelos criadores ao longo do ano, onde, após a idealização criteriosa de um cruzamento, as expectativas em relação ao produto nascido tem seu fim.
Este fenômeno apresenta dois aspectos: o primeiro relativo á égua, que, após onze meses de gestação (340 dias em média), tem (re)ativado o seu instinto materno, e o segundo relativo ao potro recém nascido, que terá de passar por uma série de processos fisiológicos até sua adaptação total ao meio e ter ativado seu instinto de sobrevivência.. Daí a necessidade de se dar também importância á integração égua-potro, e não somente a estes em separado. As éguas formam forte ligação com seus potros mesmo antes do nascimento. Esta ligação tem inicio logo após a ruptura da bolsa onde a égua cheirando e lambendo as águas que libera no chão, poderá identificar o potro que está prestes a nascer como seu legítimo. O olfato e gosto são mais importantes para o reconhecimento do potro do que a visão e audição. Sem a presença dos seus potros as éguas perdem este forte instinto materno no máximo em 4 dias. Em contrapartida, os potros não tem essa ligação tão forte com suas mães, principalmente durante as primeiras semanas de vida, período em que seus instintos são motivados pela fome, pela ação repelente de outras éguas no lote e pela constante proximidade de suas mães num raio de 5 metros.
No entanto, esta ligação materno-filial pode ser facilmente interrompida por qualquer uma das partes devido a complicações patológicas ou por distúrbios comportamentais durante o período de amamentação.

ÉGUA
Um fator importante e indispensável para o início da atividade materna é a formação de colostro de boa qualidade e produção de leite com bom volume diário. Isto poderá ser conseguido através de acostumar a égua ao local de parto um mês antes da data prevista , vacinação no último mês de gestação e fornecimento de uma alimentação correta.
Quanto ao parto propriamente dito, é de ressaltar que quanto mais se aproximar do natural, melhores resultados se terão. Isto não significa que não se deve intervir, muito pelo contrário. A intervenção pode ocorrer desde que seja sempre com o intuito de prevenir complicações e não alterar a fisiologia de égua e potro
Outro aspecto importante é relativo á nutrição, pois deve-se levar em conta que a égua tem de se alimentar para se sustentar, dar de mamar ao potro e manter nova gestação, tudo simultaneamente. Sendo assim, é imperativo que a alimentação fornecida seja de boa qualidade e em níveis adequados, e não se deve esquecer que o potro irá compartilhar com ela esse alimento. No balanceamento da ração de uma égua amamentando, levar em consideração também a necessidade nutricional do potro.
Facilitar o contato social entre as éguas e seus potros, propiciar área suficiente para pastoreio, para que assim os animais atinjam a média diária de locomoção e permitir sim a instituição de uma hierarquia dentro de cada lote, são práticas que evitarão o estresse materno e habilitam o exercício entre os potros.
Dentre as complicações que afetam a integração égua-potro os mais comuns são problemas de falha na produção de leite e colostro, distocias, complicações pós parto como hemorragias e cólicas, e dentro dos distúrbios comportamentais, agressão ou rejeição maternas.


POTRO (POTRANCA)
Logo após o parto, o feto se torna neonato. Esta transição se dá num intervalo muito curto, onde haverá transformações principalmente cardíacas, circulatórias e respiratórias. Além do mais o neonato deve estar apto a se levantar, alimentar e locomover. Atenção deve ser dada nos primeiros 5 minutos de vida á presença ou não de asfixia ocorrida durante o parto. Isto poderá ser conseguido através do uso da tabela APGAR modificado. É importante salientar que a quantidade de sangue que é passada para o potro através do cordão umbilical é a mesma que retorna do potro para a égua, não havendo assim a necessidade de esperar passar a maior quantidade possível de sangue.
Ao contrário do que se pensa, os potros não nascem sem anticorpos e sim com baixa quantidade deles. Baseado nisto, e de acordo com as características imunológicas dos potros recém nascidos, algumas vacinas poderão ser realizadas já na primeira semana de vida. No entanto, é de primordial importância que os potros tenham ingerido quantidade suficiente de colostro até 6 horas após o parto para manter uma boa atividade imunológica durante os três primeiros meses de vida.
Os vermífugos deverão ter início aos 20 dias de vida para evitar infestações provenientes da égua e do vício da coprofagia. Ter cuidado também com a chamada diarréia do “cio do potro”. Apesar de natural, algumas poderão ter simultaneamente origem infecciosa.
Também neste período já se evidenciam algumas deformidades ortopédicas e de aprumos, que, quando corrigidas cedo, possibilitam melhores resultados de conformação dos potros.
O início da alimentação individual deverá levar em conta o desenvolvimento do potro e a qualidade do leite da égua. Em média, isto se dá entre os 2 e 3 meses de vida.. Cuidados como balanceamento da ração e o modo como esta é fornecida são importantes para o futuro desenvolvimento atlético. Nesta etapa, os minerais são essenciais para a formação de uma estrutura óssea sólida, capaz de sustentar uma boa musculatura.
Para o desmame, peso e idade são primordiais, sendo respectivamente 230 Kg e 5 meses os requisitos mínimos para tal. Saber controlar o nível de estresse acarreta em melhor desenvolvimento e menor perda de peso na primeira semana de desmame. Conseqüentemente haverá também uma redução na perda de nutrientes retirados dos órgãos, promovendo assim um equilíbrio estrutural do potro desmamado, sem oscilações.
É de extrema importância que na altura do desmame os lotes já tenham estabelecido uma organização social, superando assim rapidamente a falta da mãe. No entanto a falta do leite deverá ser suplementada.

SUGESTÕES DO AUTOR

1. Manter as éguas próximas de parir perto do local de parto. Permitir que se socializem entre elas e que os lotes sejam formados por data de nascimento ou pelo sexo do neonato.
2. Manter banco de colostro.
3. No momento do parto usar de higiene. Isto não significa que terão de se usar desinfetantes. Significa sim o uso de luva, sem lubrificante, para manipulação no canal do parto e uso de material limpo e apropriado.
4. Quanto ao potro recém nascido, desinfetar o umbigo com iodo 8%, não secar seu pêlo, não dar nada via oral a não ser colostro, mantê-lo em posição esternal logo após o nascimento e permitir a movimentação voluntária e não induzida.
5. Confirmar sempre a primeira mamada do potro e aferir quantidade ingerida de anticorpos.
6. Aplicar enema no potro para facilitar defecação do mecônio e evitar sua retenção.
7. Soltar ambos sempre na manhã seguinte, promovendo exercício e de preferência, nos primeiros 3 dias, separados do lote, em uma mangueira maternidade.
8. Evitar a separação de égua e potro antes do desmame, mesmo que momentânea. Somente em último caso.
9. Sempre promover boa imunidade do potro através de vacinação adequada.
10. Não ordenhar a égua após o desmame e continuar alimentando-a normalmente.

Resumindo, não se deve esquecer que o cavalo é um animal extremamente social e que adora a rotina. Sendo assim, deverão se evitar ou minimizar as causas de estresse que tenha influência negativa na criação do potro e que atrasem sua evolução.

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