sábado, 10 de julho de 2010

Parto de égua: sequência fotográfica

1. Secreção de leite momentos antes do parto


2. Início das contrações e busca por local para parir.


3. Rompimento da bolsa e visualização normal do feto.


4. Escolhendo o local do parto.


5. Início da saída do potro, apresentação dos membros anteriores e cabeça. Note um membro sempre mais na frente que o outro.


6. Auxiliando a passagem do potro através do canal do parto.


7. Primeiro contato.


8. reconhecimento materno-fetal.


9. Primeiros passos...


10. Exteriorização natural da placenta e envoltórios fetais após o parto.


11. Visualização da placenta e cordão umbilical após sua expulsão.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Princípios nutricionais na criação do cavalo atleta


O maior objetivo do criador sempre é o de conseguir o CAMPEÃO. Mais do que isso, uma geração de campeões. Para ser atingida esta meta, vários métodos nutricionais tem sido desenvolvidos, visando sempre o crescimento e formação saudável e equilibrada do potro atleta e de alta performance. O estabelecimento de uma base sólida para a futura vida atlética é o ponto inicial de todos os procedimentos existentes.
No entanto, antes de pensar no potro, temos de nos voltar para quem vai gerá-lo, o garanhão e reprodutoras. Aí se dá o início da NUTRIÇÃO do verdadeiro cavalo de competição, e não apenas ele por si só.

ALIMENTAÇÃO DO GARANHÃO
Seguem abaixo algumas sugestões de procedimentos nutricionais para garanhões que poderão contribuir com um resultado positivo durante a temporada de monta.
- Como padrão, a ração de um garanhão deverá conter teores de 12 a 14% de proteína bruta, 3200 Mcal/ Kg de energia digestível, máximo de 2,0% de Cálcio e mínimo de 0,6% de Fósforo.
- O consumo deverá ser na quantidade de 1,5 a 2% do peso corporal total do cavalo, e dividido o em 3 refeições diárias com intervalos de 8 horas.
- Os garanhões devem estar em bom estado nutricional e com boa reserva energética. O sobrepeso deverá ser evitado, pois o esforço na cobertura aumenta o desgaste energético e poderá originar lesões ortopédicas.
- Evitar mudanças na qualidade e quantidade da ração a ser ministrada. Poderão ser utilizados neste período, precursores de ácidos graxos poliinsaturados para aumentar em até 1,5 a concentração espermática, prática esta bastante difundida.
- Fornecer feno ou pastagem e água potável á vontade.
- Manter o garanhão a pasto é uma prática extremamente saudável, e permite o contato visual com os demais animais da propriedade.
- Realizar pesagem semanal para evitar oscilações de peso durante a estação, o que poderá afetar negativamente o desempenho para coberturas

ALIMENTAÇÃO DE ÉGUAS

Considera-se em nutrição de éguas três estágios diferentes na vida da reprodutora: (1) quando virgem e vazia, (2) prenha e (3) com potro ao pé (lactação).

1. Éguas vazias e virgens
-A égua vazia deverá estar nutricionalmente apta para a concepção, ou seja, com boas condições corporais e com pequena reserva natural para permitir um bom desenvolvimento inicial do feto e de seus anexos (placenta). Apesar de sua condição, os requerimentos nutricionais diários deverão ser atendidos, pois serão futuramente mais facilmente mantidos.
-Levar em consideração que os nutrientes que ela tenha reservado antes da concepção, serão utilizados para a base de desenvolvimento fetal.
- Uma situação de extrema importância é a da fase de transição das potrancas recém-chegadas de provas. Por terem de passar por processo de adaptação, tem um pouco mais de dificuldade de ganhar boa condição corporal. O autor é da opinião que deverão encerrar campanha atlética no mínimo 4 meses antes de gestarem.

2. Éguas prenhas
- Esta classe de éguas passa por dois diferentes períodos de necessidades nutricionais: início da gestação (até 8 meses) e final de gestação (dos 8 meses até o parto).
- Apesar de alguns autores afirmarem que o desenvolvimento fetal não requer nenhum valor adicional diferente daquele das éguas vazias, o autor é da opinião que devem sim ser manejados bimestralmente, com o objetivo de ser evitado um “flushing” alimentar no último trimestre.
- O último trimestre de gestação é particularmente importante por ocorrer uma aceleração no crescimento fetal, levando proporcionalmente a um aumento dos requerimentos nutricionais diários. Este aumento terá de ser fornecido mensalmente, acompanhando o ganho de peso da égua.
- Resumindo, o peso da égua deverá aumentar na gestação de 8 a 12% que equivalem ao peso final do feto e seus anexos, devendo ser este ganho de 2/3 no último trimestre. Isto significa em termos práticos que uma égua de 500 Kg deverá ganhar de 45 a 60 Kg durante toda a gestação, sendo que nos últimos 90 dias deverá ter um ganho diário de 350 a 450 g.


3. Éguas em lactação
- No início da gestação, a égua poderá estar amamentando. Isto significa que terá de se alimentar para suprir suas necessidades, do feto e do potro ao pé. Esta situação requer um aporte máximo de requerimentos nutricionais no primeiro trimestre de lactação. Já no segundo trimestre de lactação estes requerimentos poderão ser reduzidos.
- Esta redução alimentar não tem nenhum impacto negativo, na medida em que haverá naturalmente uma queda na produção e qualidade do leite e será dado início á preparação para o desmame, tanto da égua como do potro.
- É imperativo no processo de lactação não deixar a égua decair NUNCA na sua condição física. Isto acarreta em uma menor produção de leite e sua qualidade, tendo reflexo direto no potro. Além do mais, algumas raças tem uma dificuldade natural em ganhar bom estado corporal quando magra.
- Antes do desmame a energia fornecida deverá ser reduzida e ser mantida nesse nível até 2 semanas após.
Não recomendo a interrupção do fornecimento alimentar com o objetivo de “secar o leite”. Mesmo na presença de boa forragem o mínimo deverá ser dado para manter estabilizada a flora intestinal e alguns nutrientes essenciais.

EFEITOS NUTRICIONAIS SOBRE A REPRODUÇÃO E LACTAÇÃO
- A falta de proteína mesmo na presença normal de outros nutrientes leva a uma queda de produção, primeiramente por falha na ovulação.
- Éguas magras no momento da cobertura estão propensas a maiores taxas de morte embrionária.
- O “flushing” alimentar (aumento de energia) antes da cobertura é reprodutivamente benéfico para as éguas magras, não para aquelas no peso ideal ou acima dele.
- A égua que perde peso, independente de sua condição corporal, tem diminuída sua eficiência reprodutiva.
- A perda de peso pela égua prenha aparentemente não afeta o feto. No entanto leva a uma diminuição na produção de leite e principalmente colostro, podendo levar a uma falha na imunidade do potro neonato.
- Para se obter uma eficiência reprodutiva máxima, a égua deverá ter uma boa condição corporal, até estar um pouco acima do peso. Isto se aplica principalmente ás éguas em lactação.
- A obesidade parece não afetar DIRETAMENTE a eficiência reprodutiva, gestação ou potro no nascimento. No entanto haverá diminuição na produção de leite e queda na taxa de crescimento do potro.
- O estado corporal das éguas afeta diretamente a produção de leite. A produção de leite de uma égua bem alimentada e em condições físicas ideais é de 3 a 4 % o seu peso por dia nos dois primeiros meses, caindo gradativamente até 2 % ao quinto mês de lactação.
- Os nutrientes fornecidos através da alimentação não tem influência direta na qualidade do leite, mesmo quando em alta produção. O único nutriente que comprovadamente varia com a dieta é o Cálcio.


ALIMENTAÇÃO DE POTROS
Os objetivos de criar um potro podem ser os mais variados, mas com certeza é o de produzir um atleta sadio e bem sucedido em qualquer nível.
Estabelecer uma base sólida é essencial se quisermos atingir o seu pleno potencial. O esqueleto do potro começa a se desenvolver no início da gestação e é 95% funcionalmente maduro até ao final do seu primeiro ano de vida, momento em que cresceu cerca de 90% da sua altura adulta. Os nutrientes de boa qualidade fornecem os alicerces para apoiar este crescimento rápido e, portanto, escolher uma alimentação adequada é vital.
Muitos fatores influenciam o crescimento e desenvolvimento dos potros, mas é a alimentação que pode mais facilmente influenciar, e por isso devemos tentar conseguir o estágio mais perto possível do ótimo. Algumas das principais questões que podem ser assistidas para uma adequada nutrição incluem desenvolvimento ósseo, sanidade digestiva, status imune, comportamento e manejo.

CONSIDERAÇÕES GERAIS
- O objetivo prático da égua é ter um potro vivo, que, por sua vez, evolui para um adulto saudável. A nutrição da égua tem sido pensada como menos importante do que a do potro. No entanto, é cada vez mais importante o papel da nutrição através da mãe.
- Se o tempo não for um fator importante, então os potros podem crescer e amadurecer em uma taxa aceitável. Isto pode ser mais complicado se o objetivo é produzir, por exemplo, desmamados ou sobreanos visando leilões. Nestes casos, a meta não é o ótimo e sim o crescimento máximo, e o desenvolvimento com o menor número de problemas de saúde possível.
- Os principais problemas resultantes desta prática são as doenças ortopédicas (DOD) como a Osteocondrite Dissecante (OCD), de origem cartilaginosa, a Discondroplasia (DCP), cistos subcondrais e epifisites.
- Os fatores que também podem contribuir incluem pré-disposição genética, biomecânica, trauma, estresse mecânico através de exercício inadequado, obesidade, além do já citado crescimento rápido e nutrição inadequada ou desequilibrada. Diferentes combinações podem estar envolvidas em diferentes casos.

PADRÕES DE CRESCIMENTO
- Taxas de crescimento inadequado podem resultar em variações no desempenho atlético e na saúde do potro.
- As taxas de crescimento rápido por excesso de alimentação / ingestão energética, levam a um aumento da incidência de DOD.
- A rápida taxa de crescimento pode afetar de maturação óssea direta ou indiretamente devido a perturbações na oferta nutricional e equilíbrio hormonal ou sobrecarga mecânica.
- Assim, parece ser um benefício tentar manter o crescimento com curvas suaves sem mudanças bruscas na taxa de crescimento.
- O peso ao nascimento é de cerca de 7-13% do adulto e pode ser afetado por muitos fatores, tais como a idade da égua, época do ano, a duração da gestação, quantas gestações a égua teve, etc .
- Os potros tem no desmame cerca de 5 vezes o seu peso ao nascer, e aos 12 meses de idade atingem cerca de 60 a 70% do peso dos adultos , 90% da altura e 95% de desenvolvimento ósseo.
- A taxa de crescimento do potro em amamentação depende da produção de leite de égua durante o início da lactação e é afetada pela suplementação alimentar a partir do 3° mês de lactação.
- A taxa de crescimento dos desmamados será afetada pelo seu potencial genético, em particular, bem como pelo nível de estresse e nutrientes consumidos (proteína e energia).
- A taxa máxima de crescimento é obtida se os potros forem alimentados com uma dieta equilibrada, contendo níveis elevados de energia e proteínas de boa qualidade, embora a influência alimentar tornar-se menor com o passar do tempo.
- Potros crescendo a uma taxa rápida depositam maior quantidade de nutrientes no osso, músculo e, em especial, no tecido adiposo, e, portanto, precisam de mais minerais e aminoácidos, em particular Ca, P e lisina.


POTROS EM ALEITAMENTO
-Este é o período de maior taxa de crescimento rápido (aproximadamente 110 kg, ganho nos primeiros 3 meses). É crucial que o potro receba uma nutrição adequada durante todo este período.
- O leite é o único alimento significativo na primeira semana de vida e é normalmente a principal fonte de nutrientes até o pelo menos 2 meses de idade, e para muitos até 4-5 meses de idade.
- Potros frequentemente comem concentrado da mãe nas 2-3 semanas de vida. Podem comer cerca de 2,5-3,5% do seu peso corporal como alimentação (com 90% de matéria seca [MS]), que é dividida entre leite, pastagem ou feno e concentrado alimentar.
-A quantidade de concentrado na alimentação aumenta com a idade e depende da exigência de crescimento rápido.
- Estima-se que o percentual de gordura em um potro muda de cerca de 5% durante a primeira semana para cerca de 9% aos 2 meses de idade. Isto influencia a energia total necessária para ganho de peso durante este período que aumenta de 2.1Mcal energia líquida / kg de ganho de peso vivo em 4 dias de idade, para 2.6Mcal NE / kg de ganho de peso vivo em 83 dias e para 3.4Mcal NE / kg de ganho de peso vivo em 132 dias.

POTROS DESMAMADOS
- A idade de desmame parece não influenciar significativamente a altura e peso quando adulto, mas a qualidade da alimentação pode ter influência direta.
- Se potros não são acostumados a comer alimentos sólidos antes de serem desmamados, tende a se mostrar mais prolongado o ganho de peso e ocorre diminuição no ganho médio diário (GMD) pós-desmame, que muitas vezes pode ser seguida por uma indesejável compensação do crescimento.
- A época do ano pode fazer uma diferença de acordo com o valor nutritivo e a disponibilidade de pasto ou outras forragens.
- A menos que haja circunstâncias especiais em que o desmame precoce é necessário ou vantajoso, é melhor manter o potro com a égua, pelo menos até 5 meses de idade. O desmame precoce pode resultar em maiores taxas de crescimento inicial se níveis mais elevados de concentrado estão sendo fornecidos.
- Como é evidente, com desmame postergado, menos efeitos negativos teremos. O potro não só vai ter função digestiva mais desenvolvida, como também será mais independente. O stress de desmame pode ser considerável e, de forma a minimizá-lo, a alimentação e práticas de manejo precisam ser otimizadas.
- O tipo de dieta alimentar parece influenciar o comportamento em torno do desmame, com evidentes vantagens em fornecer gordura e alimentos ricos em fibras, em vez do tradicional amido e açúcar. O método de desmame utilizado também pode ter um efeito significativo sobre o grau de estresse no desmame experimentado pelo potro.

POTROS SOBREANO E DOIS ANOS
- O ganho de peso dos sobreanos é de cerca de 0,75-1,25 kg / dia dependendo da alimentação
- O consumo os sobreanos é de cerca de 2-3% o peso vivo (PV), mas pode ser muito variável. O máximo recomendado é de 60% de concentrado na dieta total.
- Se em pastagens de boa qualidade apenas um suplemento vitamínico e mineral é necessário. Caso contrário cerca de 1,2 a 1,7 kg/100 kg PV de alimentação complementar é necessária quando na presença de capim feno e / ou pastagens de má qualidade.
- Sobreanos alimentados para crescimento rápido durante as fases de aleitamento e desmame tendem a se tornar obesos, especialmente potrancas. Sobreanos que foram mal alimentados anteriormente, podem necessitar de ser alimentados para um crescimento rápido semelhante aos desmamados e de acordo com o PV, em vez de idade. MAS cuidados devem ser tomados com relação ao aumento, especialmente para o risco de DOD.
- Os machos tendem a crescer em um ano ligeiramente mais rápido do que as fêmeas. Freqüentemente precisam ser alimentados com rações adicionais suficientes para ter em conta as maiores ganhos extras de cerca de 0,2-0,3 kg / dia, bem como maior manutenção devido à maior quantidade de atividade voluntária quando mantidos em grupos.
- Os potros com mais de 16 meses tem consumo de cerca de 2-2,75% do PV. O montante máximo de concentrado é 50-60% do total da dieta, aproximadamente 1.0-1,35 kg/100 kg de peso corporal.
-Tal como acontece com os sobreanos as quantidades de alimentos para 2 anos deve depender da forma como eles estão atingindo a sua maturidade.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

GENÉTICA: o maior e mais importante dos investimentos


PLANEJAMENTO GENÉTICO

Atualmente, o maior investimento do criador do Quarto de Milha é em genética. Comparativamente, é maior até que investimentos zootécnicos e profissionais juntos. Por isso a importância de uma escolha bem feita de uma matriz e garanhão para incorporação ao plantel já formado ou em formação.
A criação do Quarto de Milha tem como objetivo para a obtenção de bons resultados nas pistas, tanto nas de velocidade como nas de trabalho, e, posteriormente, na reprodução, o PLANEJAMENTO GENÉTICO, que deve ser criteriosamente elaborado. É um procedimento dinâmico aprimorado a cada ano, principalmente na formação do plantel de reprodutoras do haras, visando seu aperfeiçoamento e elevação do nível médio da qualidade genética e física de suas matrizes.
Dois fatores principais devem ser abordados para um planejamento genético bem elaborado: o Genótipo e o Fenótipo. O Genótipo refere-se ao padrão genético do Quarto de Milha, baseado nas características que se encontram no seu pedigree através de sua árvore genealógica, como aptidão física e atlética, velocidade, resistência, temperamento, adaptabilidade e maneabilidade. O Fenótipo refere-se ao seu biótipo, incluindo o porte, o peso, os conjuntos físicos e aprumos, ou seja, sua aparência externa, inclusive sua pelagem.
Mas antes de tudo, o criador do Quarto de Milha precisa decidir se seus produtos se destinam à venda ou reserva, ou seja, se tem por objetivo uma criação comercial ou criação para sua propriedade, pois freqüentemente, o planejamento genético voltado para fins exclusivamente comerciais, não coincide, necessariamente, com o direcionado para a produção de uso próprio.
No planejamento genético para fins comerciais, predomina o cruzamento de matrizes que tiveram boas campanhas nas pistas e/ou tem alto grau de parentesco com tais animais. Quanto ao reprodutor, no que se refere ao planejamento genético para fins comerciais, o que se leva em consideração é o seu nome, ou seja, o intenso esquema de “marketing” explorando sua boa campanha nas pistas, seu parentesco próximo com excelentes cavalos, geralmente descendentes das linhagens mais usadas nos cruzamentos, mas que, muitas vezes, não se ajustam genética e fisicamente á reprodutora para a qual está sendo elaborado o cruzamento.
No planejamento genético visando a reserva do produto, a preocupação é obter o melhor ajuste possível do genótipo e fenótipo da matriz para a qual está sendo elaborado o cruzamento, com o reprodutor selecionado, sem levar em consideração os aspectos comerciais.

INFLUÊNCIA GENÉTICA

A influência genética é a capacidade que um cavalo tem de transmitir seus genes para sua progênie, e em que porcentagem essa genética se encontra no DNA das suas gerações. Quando nos referimos a “cruzamentos mágicos”, são cruzamentos que na sua maioria terão graus de influência genética semelhantes. No entanto, apesar de manterem um bom valor comercial, estão fadados a serem superados com o tempo. Um exemplo disso está na modalidade da corrida e três tambores, onde as tendências genéticas predominantes atuais requerem (dados estatísticos) menos sangue THREE BARS (abaixo de 10%) para ambas as modalidades, e mais DASH FOR CASH e FIRST DOWN DASH (acima de 20%) para a corrida e JET DECK (acima de 12%) e EASY JET (acima de 25%) para três tambores. Isto não significa que outras linhagens não sejam importantes, mas a sua ocorrência é em menor grau. É de salientar que esta técnica de planejamento genético é apenas um orientador e não regra.
Também o não cruzamento dos mesmos indivíduos, denominado de OUTCROSS, tem presença considerável na formação de grandes campeões, e tem estatisticamente lugar de destaque dentro do planejamento genético, pois implica na maior diversificação possível de características adquiridas geneticamente. O maior exemplo está na formação dos apêndices diretos, como DASH FOR CASH, TOLLTAC, entre outros.
Estabelecido o padrão de influência genética, o encaixe genético do fenótipo vem logo a seguir. Esta operação se caracterizado pela complementaridade, ou seja, o entrosamento, em harmonia, das características corporais externas (fenótipo) da matriz e do garanhão selecionado, evitando os defeitos físicos e sobrepondo as qualidades aparentes.
Existe, porém um fator negativo, denominado RECESSIVIDADE, que, apesar de todos os estudos e alinhamentos realizados para se obter geneticamente um bom cavalo atleta, o êxito não é alcançado. Isto significa que os genes que participaram do encaixe genético no momento da fecundação são os recessivos, ou seja, os de influência genética negativa. Por este motivo poderemos vir a ter um excelente cavalo e nunca mais observaremos as mesmas aptidões em seus irmãos, ou as veremos após 4 ou 5 gerações. Além do mais, por não ser ciência exata a genética é extremamente influenciada por fatores externos do meio ambiente onde os animais são criados. Fatores como alimentação, manejo, treinamento, entre outros poderão influenciar positiva ou negativamente o produto fruto de um bom planejamento genético.


REPRODUTORAS

A escolha das reprodutoras para integrarem o plantel de um haras deverá seguir critérios rigorosos de seleção, utilizando-se como referência seu pedigree, campanha, produção e tipo físico. Independente do tamanho e capacidade do haras, a qualidade de suas matrizes é de extrema importância. Esse plantel terá de ser sempre cultivado, para se manter uma influência genética abrangente e contemporânea.
Para isso, uma tabela tem sido por mim elaborada e utilizada com o intuito de orientar a escolha dos criadores, segundo critério de desempenho em provas:

CLASSE A
Produtoras de vencedores de torneios e/ou provas oficiais
Vencedoras de torneios e/ou provas oficiais
Finalistas de torneios e/ou provas oficiais
Recordistas

CLASSE B
Produtoras de vencedores de páreos especiais e/ou provas não oficiais
Vencedoras de páreos especiais e/ou provas não oficiais
Irmãs e filhas de vencedoras de torneios e/ou provas oficiais
Finalistas de torneios e/ou provas não oficiais

CLASSE C
Produtoras de colocados em torneios, páreos especiais e/ou provas oficiais
Colocados em torneios, páreos especiais e/ou provas oficiais
Irmãs e filhas de vencedores de páreos especiais e/ou provas não oficiais


Quanto ao pedigree, deverá ter o maior número de indivíduos vencedores possível, além é claro de boa carga genética paterna. O ideal seria ter no plantel várias matrizes filhas de variados garanhões comprovados. Outro tema a ser analisado é o biótipo, o qual é de extrema importância, e que, por vezes, razão única de escolha de uma matriz.
Como sabemos, e a história tem nos mostrado, somente estes critérios não nos bastam, mas nos auxiliam. Conhecemos inúmeros casos de éguas Classe C que se tornaram Classe A com apenas um produto. Esse é o intuito desta tabela. Favorecer através do planejamento genético sempre a melhoria constante do plantel e a elevação de classe, além de ser um orientador de produção para o criador.

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GARANHÃO

O reprodutor é a peça fundamental para o encaixe genético de um plantel. Geralmente é escolhido pelo seu desempenho nas provas em que atuou ou por sua alta carga genética e produção. No entanto, existem 3 (três) categorias de garanhões a cada nova temporada de monta:

a) Os que se encontram sobre regime de “shuttle”, ou seja, arrendamento, e na sua maioria vindos dos USA, que muito contribui com a qualidade genética de nosso plantel, pois além de serem selecionados rigorosamente por seus importadores, ainda passam por aprovação dos critérios da ABQM.

b) Os importados e sediados definitivamente no Brasil. Estes precisam ser mais criteriosamente avaliados quanto ao seu uso genético, pois permanecerão gerando produtos, e sua influência será maior ao longo dos anos, podendo esta ser positiva, mas também ter certa recessividade.

c) Os reprodutores nacionais, selecionados, pela brilhante atuação que tiveram em nossas provas e que tem a vantagem de estarem adaptados ao meio ambiente e com boa compatibilidade ás matrizes que irão servir.

Resumindo, o reprodutor selecionado, a cada temporada de monta, pelo planejamento genético, deve ter como missão primordial, a complementação do Genótipo e Fenótipo das matrizes, objetivando o mais adequado encaixe genético e físico, que deverá estar refletido nas características do produto planejado.


CONCLUSÃO

A atual criação do Quarto de Milha nacional está situada hoje entre as melhores e mais estruturadas do mundo. Apesar de ainda haver um longo caminho pela frente, ela vem resistindo ás intempéries do tempo, da obsolescência e do mercantilismo, que, na minha opinião, são os grandes inimigos desta atividade.
Concordo com a máxima de um famoso criador do século passado a respeito da criação do cavalo de competição: “Neste negócio, ou se faz as coisas direito, ou fica-se de fora.”
E fazer direito hoje em dia para uma geração de criadores implica aprofundar-se em pesquisa genética, ter melhor conhecimento de famílias maternas, conhecer as inúmeras características e opções fornecidas pelos pedigrees, estudo das performances atléticas, e, claro, poder sempre contar com a melhor equipe, desde os gerentes, veterinários e supervisores dos haras, até aos treinadores, jóqueis, cavaleiros e tratadores.
O importante é tentar estar na frente do tempo...

Conformação e problemas musculoesqueléticos no cavalo atleta


CONFORMAÇÃO, APRUMOS E PROBLEMAS ORTOPÉDICOS NO CAVALO ATLETA

INTRODUÇÃO
Conformação é a forma ou delineamento de um cavalo ou sua aparência física relativa ao arranjo dos músculos, dos ossos e outros tecidos, ou simplesmente “o relacionamento entre forma e função". A conformação tem um papel importante no julgamento morfológico de um cavalo. A sua avaliação é subjetiva e baseada na experiência ou na opinião de cada avaliador. Embora muito já se saiba ao longo de 200 anos de estudo sobre a conformação dos cavalos e sua relação com o desempenho e problemas ortopédicos, poucos dados objetivos estão disponíveis aos criadores do cavalo atleta. Exclusivamente neste artigo serão tratados apenas os membros, lembrando que todo o corpo do cavalo está envolvido na conformação e na sua biodinâmica.

CONFORMAÇÃO DESEJADA

Peito
Olhando o cavalo de frente, os membros dianteiros não deverão ser nem demasiado distantes nem demasiado perto um do outro, já que juntos formam a largura do peito. Demasiado distantes resultará em uma locomoção roliça, do tipo que poderá causar enjôo ao cavaleiro. Demasiado perto, predispõe o cavalo aos ferimentos, já que existe o risco do cavalo tocar os próprios membros quando se move. Estas situações podem ser aliviadas através de casqueamento e ferrageamento, mas melhor se forem evitadas desde o nascimento. A região peitoral deverá ter boa massa muscular e ser ampla, já que os cavalos com estas características terão melhor extensão e potência de movimento lateral do que cavalos com peitos fechados.

Joelhos e canelas
Os membros anteriores devem ser retos e não desviados para dentro ou para fora. Devem ser longos e musculados no antebraço e os joelhos devem ser grandes e lisos, não pequenos nem redondos., devido aos tendões passarem por eles, permitindo assim movimento e articulação máximos.
A canela não deve ser demasiado longa. Olhando o cavalo de lado, o joelho deve parecer baixo em relação ao membro. Se parecer elevado, significa que a canela é mais longa do que o ideal, e propensa à fraqueza. A forma com que a canela se junta no joelho é importante para a funcionalidade do membro. Em alguns cavalos você verá que esta junção aparece garroteada, onde a canela é mais fina logo debaixo do joelho e termina mais grossa no boleto. Isto pode restringir o movimento dos tendões. Em alguns casos o cavalo pode estar ajoelhado com a canela se unindo atrás da linha do joelho. O oposto disto é o chamado joelho transcurvo, onde a linha frontal do membro se torna côncava.


Quartelas
A quartela é a parte absorvente do choque, carregando às vezes o peso inteiro do cavalo, mais aquele do cavaleiro. A quartela ideal, á semelhança dos membros, seria a nem demasiado longa nem curta, e nem inclinada nem vertical demais. A longa colocará uma tensão adicional no ligamento suspensório do boleto e nos tendões flexores. A quartela demasiado vertical não atua suficientemente bem para superar os efeitos de choque do movimento e assim todo o membro pode sofrer com problemas de manqueiras.

Curvilhões e canelas
Quanto ao membro traseiro, os curvilhões são uma das partes mais importantes. Agem como um absorvente adicional de choque. Assim como o joelho, é preferível estarem num ponto baixo do membro, diminuindo a tensão nas canelas posteriores. A forma como o alinhamento do curvilhão está ajustado no membro fará uma diferença na sua ação. Idealmente, o ponto de alinhamento do curvilhão deverá ser debaixo da garupa onde uma linha reta seja possa ser traçada na parte traseira da canela e continue na parte traseira da garupa. Os cavalos com curvilhões que caem atrás desta linha terão falta de propulsão. Olhando o cavalo de trás, os membros devem ser retos e sem curvilhão de vaca, quando giram para dentro, acompanhados pelos cascos girados para fora; ou se curvam em demasia, quando os curvilhões giram para fora. De lado, o cavalo não deve ser ter curvilhão de foice, onde a borda dianteira parece excessivamente curvada ou dobrada. Todas estas conformações podem causar manqueiras, comprometendo as qualidades anti-choque do curvilhão.


Casco
O ditado “Sem casco, sem cavalo!” é bem aplicado á conformação. O casco ideal terá de ser relacionado sempre com seus pares no tamanho e na forma. Os posteriores são maiores e com forma mais oval do que os anteriores. A muralha deve ser forte e flexível, não fraca nem mole ou seca e dura, mantendo sim a elasticidade. Os problemas com as paredes do casco significarão que o cavalo terá dificuldade em manter ferraduras. Ao casquear e ferrar o cavalo é necessário manter o tamanho natural do casco, mantendo os talões na mesma altura, e não o cortando demais para caber a ferradura, causando assim manqueiras e comprometendo as qualidades anti-choque naturais do casco.Os cascos devem apontar para a frente, não para dentro (periquito) nem para fora (pato). Devem ter ranilhas bem aparentes, bem-saltadas e não devem ser quadradas nem eretas, como encontradas nos muares. Os sulcos laterais em torno da parede do casco podem indicar laminite ou, no mínimo, mudanças na taxa de crescimento devido a doença ou mudanças na alimentação ou estresse.


AVALIAÇÃO DA CONFORMAÇÃO NO PRIMEIRO ANO DE VIDA
Até 15 dias de vida
Olhando de frente, os potros recém nascidos tem 3 tipos de desvios nos membros dianteiros: angulares, rotacionais e deslocamento de joelho. A avaliação desta conformação em potros destinados á atividade atlética deverá ser realizada o mais cedo possível, para que a intervenção seja realizada antes dos desvios se tornarem permanentes. Os desvios angulares são causados por alterações das epífises ósseas ou das articulações, geralmente joelhos (carpo), curvilhões (tarso) e boletos. Traçando uma linha vertical imaginária em todo o membro, veremos desvios valgus quando para o lado interno da linha e varus quando para o lado externo. É de salientar que mais de uma articulação no mesmo membro poderão ser atingidas. As deformidades rotacionais também são comuns e envolvem mais as articulações do joelho e antebraço no membro anterior e a articulação do empurrador, quando no membro posterior. Ao nível de boletos, ambos os tipos angulares e rotacionais poderão estar envolvidos.
Geralmente estes desvios ocorrem em potros leves, com peito pequeno, onde haverá forças de pressão assimétricas sobre os centros de crescimento ósseo e conseqüente crescimento ósseo também assimétrico. Outro fator que compromete a conformação são os variados graus de ossificação em diferentes ossos devido a uma má gestação. Este tipo de problema leva a desvio do tipo carpus e tarsus valgus (joelho e curvilhão para dentro) e hiperflexão (contratura de tendão). O deslocamento do joelho (joelho rodado) é causado principalmente pelo não crescimento dos ossos desta articulação. O desvio mais comum que requer tratamento cirúrgico é o carpus valgus acentuado. Os restantes poderão ser corrigidos através de casqueamento corretivo, ferraduras ortopédicas e uso de bandagens e agentes químicos adstringentes. Desvios raros da arquitetura dos ossos, os varus e valgus congênitos e malformações, tem origem genética e os procedimentos terapêuticos são baseados na gravidade em que se apresentam.
Dos 15 dias aos 5 meses de idade
Neste período ocorrem várias mudanças no crescimento dos potros. Aqui a conformação sofre a ação direta da genética, ganho de peso, crescimento e exercício, levando a algumas alterações nos membros dos potros. Alterações positivas são a perda gradual do carpus valgus e a rotação do boleto para fora. As menos desejadas são carpus e tarsus varus, joelho rodado e rotação do boleto para dentro. Ao contrário do que se supõe, a abertura do peito não foi comprovada como fator de correção para mãos abertas e carpus valgus. A primeira alteração indesejável vista é a chamada mãos para dentro (periquito) que ocorre a partir dos 30 dias de idade. O joelho rodado também ocorre neste período, e não é tão severo. No entanto, por ter origem no crescimento desorientado dos ossos do joelho, é uma alteração contínua que deverá ser prontamente resolvida através do casqueamento corretivo. O carpus varus geralmente é unilateral e poderá ocorrer devido a algum trauma no membro oposto.
Dos 5 meses a 1 ano de idade
As alterações ósseas nesta fase são menos drásticas do que nos períodos anteriores, mas é neste período que os desvios se tornam permanentes. Os potros ainda estão ganhando peso e enquanto este fator atua nos membros, as alterações na arquitetura óssea se tornam mais aparentes. Isto é devido á redução de cartilagem e aumento de tecido ósseo nos membros. Os desvios mais comuns nesta etapa são a mão para dentro e joelho rodado em graus severos. Apesar da gravidade, alguns fatores de crescimento ósseo ainda possibilitam o tratamento através de casqueamento e ferrageamento corretivos e até cirúrgia com colocação de grampos.

PROBLEMAS ORTOPÉDICOS E CONFORMAÇÂO NO QUARTO-DE-MILHA
Uma pesquisa feita com cavalos quarto-de-milha no hipódromo de Los Alamitos (Anderson, Mcllwraith, Goodman and Overly, 2003) constatou a relação direta entre problemas ortopédicos e conformação. Dentre as mais variadas associações, as mais observadas foram as seguintes:
1) Úmero longo está associado a fraturas das falanges proximais e sinovite dos joelhos.
2) Membro anterior longo, pescoço longo e pinças dos cascos longas, levam a fraturas do tipo “chip” no joelho.
3) Aumento do ângulo da paleta está associado a fraturas dos ossos do joelho e á diminuição da incidência de sinovite na mesma articulação, o que é contraditório.
4) A quartela mais vertical leva a maior inciência de sinovite no joelho e boletos
5) Mãos muito para fora estão associadas a uma maior chance de ocorrer fraturas de ossos do joelho, especialmente do direito.
6) Joelhos rodados levam a um aumento da ocorrência de fraturas e sinovites de ambos os joelhos e á formação de sobreossos nas canelas.
7) Joelhos transcurvos levam a uma maior incidência de fraturas no joelho logo no início das atividades atléticas.

PROCEDIMENTOS CORRETIVOS
O cavalo perfeito é difícil de ser encontrado, mas alguns defeitos podem ser corrigidos. Porém, devido á capacidade do cavalo carregar peso ser dependente da inter-funcionalidade de todas as partes locomotoras, é importante que estas se alinhem corretamente, a fim de serem o mais eficientes possível.
A correção dos desvios de membros terá de obedecer não apenas a uma aparência visual alinhada mas também a toda uma biodinâmica. Ou seja, não adianta apenas deixar o membro alinhado, ele deverá estar simétrico com os demais e todas as articulações deverão estar preservadas e a locomoção equilibrada. Para tal é recomendado o casqueamento corretivo dos potros a partir dos 20 dias de idade e regularmente a cada 25-30dias até início das atividades atléticas. Também poderão ser utilizadas ferraduras ortopédicas em casos mais graves. O uso de substâncias adstringentes como o iodo também é outra terapia que quando bem utilizada, retorna ótimos resultados. Na opinião do autor, os procedimentos cirúrgicos deverão ser empregados em último caso ou em casos de gravidade acentuada, já que não deixam de ser um trauma ao membro do cavalo.
O objetivo de aprumar e alinhar os membros do cavalo não é apenas estético e preventivo de problemas ortopédicos, mas também serve para evitar perdas de tempo nas provas de velocidade e trabalho devidas á locomoção inadequada. Todos os desvios levam a perda de décimos de segundo, os quais poderão ser preciosos para a decisão de uma prova ou campeonato.

A criação do cavalo atleta: Parte III


PARTE III: DO DESMAME Á DOMA.
Após o desmame, o potro é considerado individualmente independente, mas não socialmente. É neste período crítico que são consolidadas suas bases estruturais, sociais e comportamentais. O que fazer para tornar um cavalo campeão? Uma forte consciência de realizar uma nutrição e manejos adequados. É através de uma boa criação que serão formadas estas importantes características que se refletirão positivamente no desempenho atlético do animal.
Neste último capítulo será abordada a fase que vai do desmame até aproximadamente os 18 meses de idade, quando ocorrem a doma e o treinamento.

DO DESMAME ATÉ 1 ANO DE IDADE
Quando desmamado, o potro passa por um estresse altíssimo, pois não só falta da mãe mas também o hábito da mama e a presença do leite na dieta lhe foram tirados. Algumas medidas podem ser utilizadas para atenuar este processo. Dentre elas, a formação do lote social antes do desmame com a presença de uma ama junto ao grupo de jovens potros e promover um crescimento moderado, para evitar problemas ortopédicos devido a ocorrerem várias alterações e adaptações na musculatura esquelética.
Nesta fase, o aspecto nutricional é o mais preocupante, pois ocorre importante modificação no tipo de fibra muscular. Isto leva a um aumento da capacidade oxidativa das fibras musculares, na medida em que os cavalos passam de velocistas (fator de sobrevivência para os potros recém nascidos) para explosão (acúmulo de energia) chegando ao controle de ambos, velocidade e explosão, nos cavalos adultos. Modificações ocorrem também no trato intestinal, onde haverá alteração da flora e de algumas enzimas digestivas. Nesta altura o potro já deverá estar comendo seu próprio alimento individualmente.
Enquanto um potro atinge cerca de 70% de seu peso de adulto no primeiro ano de idade, a sua mineralização óssea atinge apenas 57%. A mineralização máxima ocorre somente aos 6 anos de idade. Devido a este fator, há a necessidade de saber balancear corretamente a alimentação e principalmente o componente mineral. É de salientar que este é um período crítico pois o que for perdido aqui, dificilmente será recuperado.
O fator exercício produz benefícios á cartilagem articular e aumenta a taxa de crescimento ósseo durante os 8 primeiros meses de vida. Após esta idade, as correções ortopédicas por casqueamento se tornam muito difíceis.
Acidentes, problemas músculo esqueléticos, infestações por vermes, infecções bacterianas e virais tem impacto negativo no crescimento e desenvolvimento. A prevenção de problemas deverá ser o objetivo primário em potros de qualquer idade.

DOS 12 AOS 18 MESES
Este é um período de crescimento lento. Aqui se deverão solidificar as bases do crescimento, através de uma boa formação muscular, com irrigação sanguínea proporcional. Ocorrem também as diferenciações físicas entre machos e fêmeas, onde as fêmeas tendem ao crescimento em altura e os machos em massa muscular. Os hormônios sexuais nesta fase exercem grande influência no desenvolvimento do cavalo atleta. As prolongadas fases de cio nas potrancas levam a grande desgaste energético, e nos machos, a competição hierárquica e por vezes a masturbação. Estes gastos de energia são saudáveis e deverão ser manejados normalmente. Fazem parte da natureza do cavalo e não devem ser coibidos.
É também durante este período que acontece a formação final das cartilagens articulares e o fechamento das placas de crescimento ósseo mais requisitadas. Isto pode (e deve) ser aferido por exames radiográficos, prevenindo qualquer alteração óssea e articular durante a fase de treinamento.
Desde que sejam realizados de forma racional, a doma e treinamento iniciados aos 18 meses de idade são mais eficazes e não tem nenhum efeito deletério nos parâmetros clínicos, histológico e biomecânico dos tecidos músculo esqueléticos.
Quanto á doma propriamente dita, esta deverá ter o propósito de formar uma parceria entre cavaleiro e cavalo e não a submissão do animal. Os procedimentos pelos quais isto é atingido são o mérito de cada treinador e só deverão dizer respeito a ele e ao proprietário do animal.
Importância deverá ser dada logo após o confinamento em cocheiras para inicio do treinamento, pois ocorre uma desmineralização óssea levando a dor de canelas. Por isso, o fechamento dos animais deverá ser feito de forma gradativa, pois esta fraqueza óssea é causada pelo estresse. Um animal previamente acostumado á cocheira sofrerá menos estas alterações.
Quanto á alimentação nesta fase, é de salientar que os cavalos em treinamento com até 6 anos de idade ainda estão em crescimento, assim como sob exercício intenso. Sendo assim, a sua ração deverá fornecer níveis adequados de energia, bem como lisina e outros nutrientes chave.

CONCLUSÃO
Os fatores ambientais como nutrição, exercício e condicionamento são difíceis de quantificar, e o manejo durante a fase de crescimento e desenvolvimento, bem como tipo de treinamento, influenciam diretamente o potencial do cavalo para o sucesso.
Para elucidar o quanto é importante uma criação correta, segue abaixo o diagrama,


onde 1 representa genética, 2 nutrição, 3 manejo, 4 sanidade e 5 treinamento. Se estes 5 fatores não estiverem devidamente completos, não teremos 100% da capacidade atlética esperada do cavalo. O trabalho de criação visa o preenchimento de cada item através de suas interações, de forma a tentar formar um animal capaz de competir com todo o seu potencial.
O programa de criação em um estabelecimento deve levar em conta o que será ser feito durante toda a vida do cavalo atleta, desde sua gestação até á competição, sabendo que são inúmeros os fatores que interferem positiva e negativamente nesse processo. Saber manejá-los de forma proveitosa é o segredo para a formação de um verdadeiro campeão.

A criação do cavalo atleta: Parte II


PARTE II: DO NASCIMENTO AO DESMAME

O parto é um dos adventos mais esperados pelos criadores ao longo do ano, onde, após a idealização criteriosa de um cruzamento, as expectativas em relação ao produto nascido tem seu fim.
Este fenômeno apresenta dois aspectos: o primeiro relativo á égua, que, após onze meses de gestação (340 dias em média), tem (re)ativado o seu instinto materno, e o segundo relativo ao potro recém nascido, que terá de passar por uma série de processos fisiológicos até sua adaptação total ao meio e ter ativado seu instinto de sobrevivência.. Daí a necessidade de se dar também importância á integração égua-potro, e não somente a estes em separado. As éguas formam forte ligação com seus potros mesmo antes do nascimento. Esta ligação tem inicio logo após a ruptura da bolsa onde a égua cheirando e lambendo as águas que libera no chão, poderá identificar o potro que está prestes a nascer como seu legítimo. O olfato e gosto são mais importantes para o reconhecimento do potro do que a visão e audição. Sem a presença dos seus potros as éguas perdem este forte instinto materno no máximo em 4 dias. Em contrapartida, os potros não tem essa ligação tão forte com suas mães, principalmente durante as primeiras semanas de vida, período em que seus instintos são motivados pela fome, pela ação repelente de outras éguas no lote e pela constante proximidade de suas mães num raio de 5 metros.
No entanto, esta ligação materno-filial pode ser facilmente interrompida por qualquer uma das partes devido a complicações patológicas ou por distúrbios comportamentais durante o período de amamentação.

ÉGUA
Um fator importante e indispensável para o início da atividade materna é a formação de colostro de boa qualidade e produção de leite com bom volume diário. Isto poderá ser conseguido através de acostumar a égua ao local de parto um mês antes da data prevista , vacinação no último mês de gestação e fornecimento de uma alimentação correta.
Quanto ao parto propriamente dito, é de ressaltar que quanto mais se aproximar do natural, melhores resultados se terão. Isto não significa que não se deve intervir, muito pelo contrário. A intervenção pode ocorrer desde que seja sempre com o intuito de prevenir complicações e não alterar a fisiologia de égua e potro
Outro aspecto importante é relativo á nutrição, pois deve-se levar em conta que a égua tem de se alimentar para se sustentar, dar de mamar ao potro e manter nova gestação, tudo simultaneamente. Sendo assim, é imperativo que a alimentação fornecida seja de boa qualidade e em níveis adequados, e não se deve esquecer que o potro irá compartilhar com ela esse alimento. No balanceamento da ração de uma égua amamentando, levar em consideração também a necessidade nutricional do potro.
Facilitar o contato social entre as éguas e seus potros, propiciar área suficiente para pastoreio, para que assim os animais atinjam a média diária de locomoção e permitir sim a instituição de uma hierarquia dentro de cada lote, são práticas que evitarão o estresse materno e habilitam o exercício entre os potros.
Dentre as complicações que afetam a integração égua-potro os mais comuns são problemas de falha na produção de leite e colostro, distocias, complicações pós parto como hemorragias e cólicas, e dentro dos distúrbios comportamentais, agressão ou rejeição maternas.


POTRO (POTRANCA)
Logo após o parto, o feto se torna neonato. Esta transição se dá num intervalo muito curto, onde haverá transformações principalmente cardíacas, circulatórias e respiratórias. Além do mais o neonato deve estar apto a se levantar, alimentar e locomover. Atenção deve ser dada nos primeiros 5 minutos de vida á presença ou não de asfixia ocorrida durante o parto. Isto poderá ser conseguido através do uso da tabela APGAR modificado. É importante salientar que a quantidade de sangue que é passada para o potro através do cordão umbilical é a mesma que retorna do potro para a égua, não havendo assim a necessidade de esperar passar a maior quantidade possível de sangue.
Ao contrário do que se pensa, os potros não nascem sem anticorpos e sim com baixa quantidade deles. Baseado nisto, e de acordo com as características imunológicas dos potros recém nascidos, algumas vacinas poderão ser realizadas já na primeira semana de vida. No entanto, é de primordial importância que os potros tenham ingerido quantidade suficiente de colostro até 6 horas após o parto para manter uma boa atividade imunológica durante os três primeiros meses de vida.
Os vermífugos deverão ter início aos 20 dias de vida para evitar infestações provenientes da égua e do vício da coprofagia. Ter cuidado também com a chamada diarréia do “cio do potro”. Apesar de natural, algumas poderão ter simultaneamente origem infecciosa.
Também neste período já se evidenciam algumas deformidades ortopédicas e de aprumos, que, quando corrigidas cedo, possibilitam melhores resultados de conformação dos potros.
O início da alimentação individual deverá levar em conta o desenvolvimento do potro e a qualidade do leite da égua. Em média, isto se dá entre os 2 e 3 meses de vida.. Cuidados como balanceamento da ração e o modo como esta é fornecida são importantes para o futuro desenvolvimento atlético. Nesta etapa, os minerais são essenciais para a formação de uma estrutura óssea sólida, capaz de sustentar uma boa musculatura.
Para o desmame, peso e idade são primordiais, sendo respectivamente 230 Kg e 5 meses os requisitos mínimos para tal. Saber controlar o nível de estresse acarreta em melhor desenvolvimento e menor perda de peso na primeira semana de desmame. Conseqüentemente haverá também uma redução na perda de nutrientes retirados dos órgãos, promovendo assim um equilíbrio estrutural do potro desmamado, sem oscilações.
É de extrema importância que na altura do desmame os lotes já tenham estabelecido uma organização social, superando assim rapidamente a falta da mãe. No entanto a falta do leite deverá ser suplementada.

SUGESTÕES DO AUTOR

1. Manter as éguas próximas de parir perto do local de parto. Permitir que se socializem entre elas e que os lotes sejam formados por data de nascimento ou pelo sexo do neonato.
2. Manter banco de colostro.
3. No momento do parto usar de higiene. Isto não significa que terão de se usar desinfetantes. Significa sim o uso de luva, sem lubrificante, para manipulação no canal do parto e uso de material limpo e apropriado.
4. Quanto ao potro recém nascido, desinfetar o umbigo com iodo 8%, não secar seu pêlo, não dar nada via oral a não ser colostro, mantê-lo em posição esternal logo após o nascimento e permitir a movimentação voluntária e não induzida.
5. Confirmar sempre a primeira mamada do potro e aferir quantidade ingerida de anticorpos.
6. Aplicar enema no potro para facilitar defecação do mecônio e evitar sua retenção.
7. Soltar ambos sempre na manhã seguinte, promovendo exercício e de preferência, nos primeiros 3 dias, separados do lote, em uma mangueira maternidade.
8. Evitar a separação de égua e potro antes do desmame, mesmo que momentânea. Somente em último caso.
9. Sempre promover boa imunidade do potro através de vacinação adequada.
10. Não ordenhar a égua após o desmame e continuar alimentando-a normalmente.

Resumindo, não se deve esquecer que o cavalo é um animal extremamente social e que adora a rotina. Sendo assim, deverão se evitar ou minimizar as causas de estresse que tenha influência negativa na criação do potro e que atrasem sua evolução.

A criação do cavalo atleta: Parte I


PARTE I: DA COBERTURA AO PARTO

Devido ao constante progresso das associações de criadores de cavalos e ao alto nível competitivo e comercial impostos, o cavalo tem se transformado num verdadeiro atleta, tendo seu desempenho exigido ao máximo. Face a esta realidade, fez-se necessário o desenvolvimento profissional técnico na mesma proporção, apto a suprir as necessidades dos criadores e proprietários do cavalo. Podem se incluir aqui a criação e reprodução eqüinas, sendo estas, áreas de grande importância dentro de uma propriedade. Os resultados competitivos tem início aqui, onde a base dos atletas a serem criados deverá ser sólida.

GARANHÃO
Afim de facilitar o manejo durante a estação de monta, é imperativo programar a utilização do garanhão quanto ao número de éguas a serem cobertas e tipo de cobertura a ser realizada, ou seja, monta natural ou inseminação artificial, e nesta, sêmen fresco, resfriado ou congelado. Para que isto ocorra terão de se realizar exames físicos e andrológicos antes do início da temporada. Estes “exames de Outono” são úteis para identificar a capacidade reprodutiva do animal, e assim selecionar o melhor método de cobertura a ser utilizado.
Em haras onde o manejo reprodutivo é intenso, este exame poderá ser realizado mensalmente, com o objetivo de se estabelecer uma curva anual baseada na concentração espermática, propiciando assim excelente controle do sêmen e antecipando alterações bruscas na taxa de fertilidade..
Alguns cuidados quanto ao manejo deverão também ser tomados antes do inicio da atividade reprodutiva. Entre os mais importantes se destacam a manutenção de um estado corporal atlético, pronto para coberturas diárias, evitar vacinas que possam causar febre, pois isto se refletirá negativamente durante a temporada e manter uma rotina diária durante a estação de monta, condicionando assim o animal e evitando qualquer tipo de estresse.
Quanto á alimentação, evitar mudanças na qualidade e quantidade da ração a ser ministrada. Poderão ser utilizados neste período, precursores de ácidos graxos polinsaturados para aumentar em até 1,5 a concentração espermática e a qualidade do sêmen congelado, prática esta que está sendo bastante difundida.

ÉGUAS
O foco da reprodução está na taxa de concepção das reprodutoras. O resultado final da temporada de monta acontece sempre no ano seguinte, com o nascimento do potro. Esta sim é a real taxa de aproveitamento reprodutivo. No entanto, vários fatores influenciam este índice e o sucesso depende da perícia com que são manejados.
Entre os fatores que diretamente determinam a eficiência reprodutiva das éguas estão o estado corporal, tipo de alimentação, idade, condição reprodutiva (vazia, virgem ou parida), tipo de cobertura a ser empregada e a presença de infecções.
A reprodutora deverá estar saudável para a concepção, isto é, ter um estado corporal atlético compatível com a idade, alimentação balanceada, estar ciclando corretamente e possuir sanidade reprodutiva, ou seja, sem problemas físicos e infecciosos no trato reprodutivo.
Levando em consideração a cobertura, as afecções poderão ser divididas em: pré-cobertura (anestro, endometrite, cistos uterinos, falha em mostrar cio, problemas físicos) e pós-cobertura (endometrite pós-cobertura, falha na ovulação, morte embrionária precoce, aborto e distocia).
Estes problemas poderão ser atenuados com o uso de algumas práticas como:
• exames ginecológicos realizados nas éguas vazias antes da temporada detectando anormalidades e sua pronta resolução antes do inicio da estação;
• programas de luz artificial, inclusive para éguas em anestro pós-parto, ajudando na atividade ovariana;
• uso de rufião na propriedade;
• escolha correta das éguas que deverão ser cobertas no cio de potro, evitando assim contaminações uterinas;
• determinação do tipo de cobertura mais apropriado para as éguas problemas e idosas;
• manutenção de programa nutricional adequado para cada fase gestacional;
• acompanhamento veterinário mensal da égua prenha.

Todos estes fatores se aplicam também á prática da transferência de embriões, onde a sanidade, tanto da doadora como da receptora, resulta em melhor qualidade e maiores taxas dos embriões coletados e sua conseqüente concepção.
Atualmente, a profilaxia é a prática de maior atenção nos eqüinos. Um programa de vacinação correto de um plantel, evitará surtos infecciosos e conseqüentes abortos, o uso de imuno- estimulantes uterinos evita não só endometrites inconvenientes como também algumas placentites, e a vermifugação deverá ser levada em consideração, já que alguns parasitas passam da mãe para o produto.
O importante é estabelecer um ambiente saudável na propriedade, priorizando a convivência com a flora existente e não a sua modificação ou total degradação.
Outro fator que poderá levar a alterações no manejo da reprodutora é a determinação do sexo do feto, realizada entre 60 e 70 dias de gestação. Isto possibilitará os criadores de tomarem decisões em relação ao objetivo comercial da égua e do futuro produto, local de parto e escolha de garanhão.
Quanto ao parto, a égua deverá ser preparada um mês antes e ser planejado de que forma se dará, dentro ou fora da cocheira, com intervenção humana ou não. De qualquer forma, é importante que seja assistido, pois desta maneira poderão ser evitadas várias complicações como lacerações nas éguas e asfixia dos recém nascidos, bem como evitar acidentes entre a nova unidade égua-potro.

SUGESTÕES DO AUTOR
1. Os garanhões devem estar em bom estado nutricional, prontos para a temporada. Caso isto não seja possível, é preferível que estejam um pouco acima do peso do que abaixo. O ideal seria trabalhar os animais antes da estação, para adquirirem bom condicionamento físico e boa libido.
2. Condicionar os garanhões previamente quanto ao tipo de cobertura, ou seja, monta natural ou coleta de sêmen, e esta última em égua cavalete ou em manequim. Tentar não misturar as práticas durante a mesma temporada.
3. A quantidade de ração a ser fornecida ás éguas prenhas não deverá ser diferente das demais éguas até o último trimestre, onde então deverá ser aumentada a quantidade em até 1,4 vezes. O consumo de água nesta altura também é importante e deverá ser oferecida á vontade, evitando assim problemas como desidratação e cólicas.
4. A parição não deixa de ser uma atividade atlética. Manter as éguas a campo é um bom exercício, pois permite liberdade de movimentos e melhor oxigenação tecidual.
5. Devido aos embriões eqüinos serem mais frágeis do que outras espécies, especialmente antes dos 30 dias de gestação, tentar evitar causas de estresse que levem a um desequilíbrio hormonal uterino com conseqüente morte embrionária.
6. A vacinação e vermifugação são práticas sanitárias seguras de serem utilizadas nas éguas prenhas sem problemas maiores.
7. Assistir aos partos auxiliará no reconhecimento precoce de futuros problemas com égua e potro, sendo fator determinante para a sobrevida de ambos.