terça-feira, 10 de agosto de 2010

MANEJO REPRODUTIVO DE ÉGUAS


Dando continuidade á coluna anterior, seguiremos abordando o tema reprodução com foco agora nas reprodutoras.

ÉGUAS
O foco da reprodução está na taxa de concepção das reprodutoras. O resultado final da temporada de monta acontece sempre no ano seguinte, com o nascimento do potro. Esta sim é a real taxa de aproveitamento reprodutivo. No entanto, vários fatores influenciam este índice e o sucesso depende da perícia com que são manejados.
Entre os fatores que diretamente determinam a eficiência reprodutiva das éguas estão o estado corporal, tipo de alimentação, idade, condição reprodutiva (vazia, virgem ou parida) e a presença de infecções.
A reprodutora deverá estar saudável para a concepção, isto é, ter um estado corporal atlético compatível com a idade, alimentação balanceada, estar ciclando corretamente e possuir sanidade reprodutiva, ou seja, sem problemas físicos e infecciosos no trato reprodutivo.
Dividiremos as reprodutoras quando ao seu status reprodutivo no início da temporada em Vazias e Virgens, Prenhas e Com Potro ao Pé.

REPRODUTORAS VIRGENS E VAZIAS

Manejo Geral
- Ao chegar ao haras, após campanha, as éguas virgens passarão por um período de readaptação, que poderá levar a perda de estado corporal. O ideal seria a chegada três meses antes da temporada de monta.
- Formar lotes heterogêneos, ou seja, vazias e virgens juntas.
- Os requerimentos nutricionais são 12% Proteína Bruta, máximo de 1,2 % de Cálcio e mínimo de 0,5 % de Fósforo.
- As éguas vazias deverão passar por exames ginecológicos no máximo dois meses após o término da temporada.
- A vermifugação deverá seguir a rotina do haras com vermífugos administrados no máximo a cada 60 dias, e se alterando o princípio ativo e laboratório.
- A vacinação deverá ser efetuada nos dois meses anteriores ao início da temporada de monta e contra principalmente Rinopneumonite e Leptospirose.


Sanidade Reprodutiva
- Deverão ser realizados exames ginecológicos em todas as éguas vazias, com o intuito de corrigir possíveis afecções no trato reprodutivo.
- Os exames realizados, além da ultra-sonografia, são: a citologia, bacteriologia e biópsia. Estes exames possibilitam a detecção de infecções e alterações crônicas no útero.
- As infecções deverão ser tratadas através do uso de antibióticos sistêmicos ou via uterina, e com lavagens uterinas para facilitar a limpeza do útero.
- A presença de pneumovagina (entrada de ar no útero), deverá ser corrigida cirurgicamente, pois esta alteração leva á contaminação da vagina e útero acarretando em cerca de 30% das mortes embrionárias.
- Todas as éguas de um plantel deverão estar reprodutivamente saudáveis até o início da temporada de monta.


Sazonalidade e Hormônioterapia
- As éguas vazias e virgens passam por um processo de sazonalidade, ou seja, quando diminui a quantidade de luz diária nas estações frias, o ciclo também é afetado, tornando-se irregular e até mesmo ausente.
- Os programas de luz são utilizados para estimular a égua a ciclar. Como regra, teremos a primeira ovulação de 60 a 90 dias após o início da luz artificial. Este programa deverá complementar 18 horas de luz diárias necessárias para que as éguas ciclem no período desejado.
- Existe ainda a chamada fase de transição, onde os cios se tornam longos. Estes ciclos poderão ser encurtados com o uso de hormônios como a progesterona, usada para facilitar o “flushing” hormonal para ovulação, e com indutores da ovulação com o HGC ou Deslorelina, sendo a última a mais utilizada atualmente.
- As éguas vazias e virgens poderão também ser sincronizadas através da progesterona ou prostaglandina. Esta sincronização poderá ser útil para programar a cobertura de todas as éguas na primeira semana da temporada, levando a prenhezes ditas “do cedo” e facilitando o manejo com os futuros potros.
- Outro fator que estimula a ciclicidade é o uso rotineiro do rufião na propriedade.

Fatores que afetam negativamente a concepção
Levando em consideração a cobertura, as afecções poderão ser divididas em:
- pré-cobertura (anestro, quando a égua não cicla, endometrite, quando infecção uterina, cistos uterinos por obstrução de vasos linfáticos e repetidas infecçõs, falha em mostrar cio e problemas físicos como “bambeira”)
- pós-cobertura (endometrite pós-cobertura, ou seja, inflamação do útero após a cobertura e pela presença do próprio sêmen, falha na ovulação, morte embrionária precoce)

Atualmente, a profilaxia é a prática de maior atenção nos eqüinos. Um programa de vacinação correto de um plantel evitará surtos infecciosos e conseqüentes abortos, o uso de imuno- estimulantes uterinos evita não só endometrites inconvenientes como também algumas placentites e a manutenção de uma sanidade reprodutiva levará com certeza a resultados positivos e precoces durante a temporada de monta.

MANEJO REPRODUTIVO DE GARANHÃO EM MONTA NATURAL


Devido ao constante progresso da criação do PSI no Brasil e no exterior e ao alto nível competitivo e comercial imposto, tornou-se necessário o desenvolvimento profissional na mesma proporção, apto a suprir tecnicamente as necessidades dos criadores e proprietários, a fim de serem atingidas as metas e resultados desejados.
Para isso ocorrer existem várias etapas do ciclo do cavalo atleta a serem acompanhadas pelos profissionais, sendo a inicial, a reprodução.
Este item engloba não só a taxa de prenhes das reprodutoras como também o porcentual de produtos nascidos. O resultado final da temporada de monta acontece sempre no ano seguinte, com o nascimento do potro. Esta sim é a real taxa de aproveitamento reprodutivo. No entanto, vários fatores influenciam este índice e o sucesso depende da perícia com que são manejados.


GARANHÃO
Para se facilitar o manejo durante a estação de monta deverá se programar a utilização do garanhão quanto ao número de éguas a serem cobertas. Para que isto ocorra terão de se realizar exames físicos e andrológicos antes do início da temporada. Estes exames são úteis para identificar a capacidade reprodutiva do animal. Os parâmetros para um resultado satisfatório do reprodutor durante a temporada são 1,5 saltos / égua prenha e 70% de prenhes no primeiro ciclo (primeiro cio de cada égua).
Seguem abaixo algumas sugestões de procedimentos práticos que poderão contribuir com um resultado positivo.

A) Alimentação
1. Como padrão, a ração de um garanhão deverá conter teores de 12 a 14% de proteína bruta, 3200 Mcal/ Kg de energia digestível, máximo de 2,0% de Cálcio e mínimo de 0,6% de Fósforo.
2. O consumo deverá ser na quantidade de até 1,5% do peso corporal total do cavalo, e dividido o em 3 refeições diárias com intervalos de 8 horas.
3. Os garanhões devem estar em bom estado nutricional e com boa reserva energética. O sobrepeso deverá ser evitado, pois o esforço na cobertura aumenta o desgaste energético e poderá originar lesões ortopédicas.
4. Evitar mudanças na qualidade e quantidade da ração a ser ministrada. Poderão ser utilizados neste período, precursores de ácidos graxos poliinsaturados para aumentar em até 1,5 a concentração espermática, prática esta bastante difundida.
5. Fornecer feno ou pastagem e água potável á vontade.
6. Realizar pesagem semanal para evitar oscilações de peso durante a estação, o que poderá afetar negativamente o desempenho para coberturas.

B) Manejo
1. Manter o garanhão em ambiente limpo e arejado.
2. Favorecer o pastoreio o máximo possível em piquetes dimensionados.
3. Casqueamento e/ou ferrageamento regulares e por profissional habilitado. O ideal é manter desferrado.
4. Vermifugação a intervalos de no mínimo 2 meses e intercalando o princípio ativo e o laboratório.
5. Vacinação contra as principais doenças (principalmente rinopneumonite) sempre antes do início da temporada de monta, pois algumas vacinas poderão ocasionar desconforto (e até febre) e resultar em queda da qualidade do sêmen.
6. Verificar semanalmente todo o corpo em busca de possíveis ectoparasitas.
7. Favorecer o contato visual do garanhão com outros animais da propriedade.
8. Manter rotina diária sem alterações bruscas, com horários regrados.

C) Coberturas
1. Estipular o numero de saltos diários de acordo com a capacidade reprodutiva do cavalo.
2. Animais idosos deverão ter limitado seu número saltos diários a no máximo 2 por dia.
3. Determinar um dia de descanso semanal.
4. Cobrir éguas previamente rufiadas, evitando assim acidentes tanto nas éguas como no garanhão.
5. Utilizar métodos de contenção que facilitem o manuseio em caso de reação negativa por parte da égua ou garanhão.
6. Examinar as éguas a serem cobertas, evitando doenças sexualmente transmissíveis, como Exantema Coital, por exemplo, levando a um forçado repouso reprodutivo.
7. Manter o animal calmo durante a monta, não forçando o salto nem a ejaculação.
8. Tentar padronizar a altura da égua através de depressões no terreno ou degraus para o garanhão.
9. O coito poderá ser facilitado através do direcionamento do pênis ou com o uso de lubrificante vaginal.
10. Confirmar sempre a cobertura através de pulsos uretrais ou análise microscópica do pós-ejaculado, pois alguns animais conseguem simular a ejaculação.
11. Lavar o pênis apenas com água corrente após as coberturas, não alterando a sua flora.

D) Exame andrológico mensal
1. Verificam-se basicamente o volume do ejaculado, concentração espermática (nº espermatozóides/ml), motilidade (movimentação progressiva), defeitos dos espermatozóides e características morfológicas dos testículos.
2. As características seminais divergem de um garanhão para outro, assim como a fertilidade.
3. Auxilia na avaliação do sêmen e suas variações durante a estação, levando assim a diagnósticos precoces e soluções terapêuticas imediatas
4. Nos haras onde o manejo reprodutivo é intenso, o exame andrológico poderá ser realizado quinzenalmente, com o objetivo de se estabelecer uma curva baseada na concentração espermática, propiciando assim excelente controle do sêmen e antecipando alterações bruscas na taxa de fertilidade.
5. Exames bacteriológicos do pênis avaliam sua flora e constatam a presença de bactérias nocivas ao aparelho reprodutor feminino.

E) Fatores que afetam negativamente a performance reprodutiva de um garanhão.
1. Idade avançada. Existe queda da qualidade espermática e consequentemente da performance reprodutiva a partir dos 19 anos de idade.
2. Libido. Animais com pouca libido são difíceis de manejar. Há a necessidade constante de serem estimulados através de procedimentos audio-olfato-visuais ou químicos. O excesso de libido também poderá ser prejudicial, já que poderá ocorrer fadiga durante a estação.
3. Problemas físicos, como artrose em curvilhões, dor lombar ou afecções crônicas em membros posteriores. A presença de dor poderá levar a ausência de ejaculação e até mesmo da cópula.
4. Viagens. Principalmente nos animais em sistema de “shuttling”, existe uma queda transitória e fisiológica na taxa de fertilidade durante a temporada de monta.
5. Doenças infecciosas levam a quedas bruscas na concentração espermática.
6. Dimensões penianas inapropriadas podem levar a ejaculações exteriorizadas ou a traumas na parede vaginal da égua.
7. Falta de condicionamento reprodutivo, ou seja, é necessário condicionar o garanhão a ter o mínimo de pulsos ejaculatórios através de uma rotina reprodutiva criteriosa.

É grande a influência do garanhão no resultado final da temporada de monta. Um bom resultado está em torno dos 85 a 93% de prenhes aos 60 dias de gestação. É bom relembrar que o cavalo é um animal que adora rotina. Por isso o manejo deverá ser o ideal e a aptidão reprodutiva maximizada dentro da capacidade de cada haras.

DICA
1 ml de Fertargyl via muscular 1x/dia durante 60 dias pré temporada melhora muito a fertilidade de garanhões problema ou idosos