terça-feira, 5 de outubro de 2010

CUIDADOS COM O POTRO RECÉM NASCIDO – Parte I

O período pós-parto é provavelmente a etapa onde ocorrem as mais marcadas e abruptas mudanças na vida do animal. Associadas ao nascimento, estas mudanças nada mais são que o processo de maturação dos órgãos, que precede e acompanha as adaptações fisiológicas requeridas para a sobrevivência. Além disso, este processo envolve a necessidade de uma sequência e integração de uma série de eventos fisiológicos essenciais ao potro neonato.
Este capítulo será tratado em três partes, onde na primeira abordaremos a fisiologia da transição do feto a neonato, na segunda os cuidados e procedimentos a serem tomados após o parto com o neonato e na terceira e última parte os principais problemas que afetam o potro recém-nascido.

TRANSIÇÃO DE FETO A NEONATO
No período imediatamente pós-parto, o neonato terá de ser capaz de regular integração cardiorrespiratória para manter circulação e respiração, ingerir e digerir seus próprios alimentos, regular a sua própria temperatura, controlar e equilibrar seus hormônios e realizar defesa contra infecções, dentre outras.
Estas funções, que quando feto eram realizadas na maioria pela sua mãe, passam por um processo de adaptação que será agora descrito.
1) Alterações do sistema respiratório
- Ainda na condição de feto, ocorre a maturação das células pulmonares através de hormônios endógenos denominados corticoesteróides. Este processo tem início cerca de 40 dias antes do parto e permite a formação de uma substância denominada surfactante, que impede o colabamento pulmonar na primeira respiração após o parto.
- O início da respiração ocorre logo após o parto e através da contração da caixa torácica do potro na passagem pelo canal do parto, estímulos táteis e súbito resfriamento da pele, sendo as primeiras inspirações relativamente fortes com conseqüente expansão pulmonar e absorção do líquido pulmonar.
- Ainda nas primeiras horas pós-parto, o neonato é muito sensível a qualquer processo que cause hipoventilação, na medida em que esta leva a uma queda de saturação de oxigênio no sangue e conseqüentes lesões cerebrais.
2) Alterações do sistema cardiovascular
- Na circulação sanguínea fetal existem duas estruturas anatômicas de grande importância chamadas ducto arterioso e forâmen oval, que permitem a passagem do sangue do pulmão para a placenta, onde ocorrem as trocas gasosas.
- Imediatamente após o parto ocorre o fechamento destas estruturas, para favorecer a circulação geral no corpo do potro. O ducto arterioso fecha completamente de 3 a 6 dias e o forâmen oval nas primeiras horas de vida. Este fechamento é mediado por hormônios endógenos.
- Em seguida é realizada a integração circulação e respiração, onde, a um grosso modo, ocorre a regulação da freqüência cardíaca com a respiratória em uma taxa de 2 a 3 para 1.
3) Regulação da temperatura
- Tem início logo após o parto, enquanto o líquido que reveste a pelagem do neonato seca e evapora. Devido a geralmente o parto ocorrer em temperaturas abaixo das corporais, a termorregulação se dá através da produção de calor.
- As principais fontes para a termorregulação são o glicogênio muscular e hepático estocado durante a gestação, e que é liberado através dos tremores e atividade física. A segunda fonte são os carboidratos e gorduras presentes no colostro.
- O mecanismo termorregulador com origem cerebral, mais precisamente no hipotálamo, estará ativo logo no primeiro dia de vida.
4) Imunidade
- O potro ao nascimento é hipogamaglobinêmico, ou seja, nasce com quantidade de anticorpos (imunoglobulina - IgG) muito reduzida.
- A proteção é realizada através da ingestão de anticorpos presentes no colostro da mãe, que são absorvidos por células especiais no sistema digestivo até no máximo 36 horas após o parto, quando ocorrerá a transformação destas células. Por isso a importância de mamar o colostro o mais rapidamente possível.
- A função imune, mesmo nos potros saudáveis é menos efetiva do que nos adultos. No entanto a função das células de defesa é equivalente á dos adultos.
5) Metabolismo
- A água constitui de 70 a 75% do peso total do neonato. Apesar disso, não são protegidos de desidratação e são mais vulneráveis a esta devido á sua alta taxa metabólica e devido á sua função renal não ser tão versátil como nos adultos, não concentrando eficientemente a urina.
- A taxa metabólica é o dobro da dos adultos. A principal fonte de energia é o leite materno. O requerimento calórico é de 100 a 120 Kcal/Kg/dia o que equivale a  5 ou 6 litros de leite por dia. Quando doentes, o requerimento aumenta para 150 Kcal/Kg/dia, ou cerca de 12 litros de leite por dia.