segunda-feira, 9 de maio de 2011

ENERGIA MUSCULAR NO CAVALO ATLETA


Existem 3 tipos de performance atlética exercidas pelo cavalo:
1)          - Atividade de enduro, geralmente acima de 2 horas e de baixa intensidade.
2)    - Distâncias médias de 500 a 3200 m por vários minutos, com média de 75 a 95% de atividade muscular, requerendo metabolismo aeróbico e anaeróbico.
3)   -Velocidade, abaixo de 500 m, com atividade muscular intensa abaixo de 1 minuto requerendo produção de energia anaeróbica.
Em treinamento e durante a competição, os nutrientes mais importantes em ordem de grandeza são: 1) água, 2) eletrólitos e 3) energia. O cavalo pode perder toda a sua gordura e boa parte de suas proteínas, mas se perder 15% da água do seu corpo poderá ser fatal. A perda de água ocorre junto com eletrólitos, e existe essa necessidade de perda para dissipar a enorme quantidade de calor corporal gerado pela produção de energia durante a atividade física intensa.

PRODUÇÃO DE ENERGIA E SUA UTILIZAÇÃO
A única fonte de energia utilizada para promover a contração muscular é derivada do ATP. Fonte alternativa e instantânea é a Creatina que pode ser utilizada apenas por 6 a 8 segundos no início da atividade muscular.
No entanto é necessário manter a produção de energia constante. Os dois principais meios para isso são: 1) glicólise, que é a produção anaeróbica, ou sem presença de oxigênio, utilizando a glicose e a transformando em ácido láctico (própria das fibras musculares glicolíticas)e 2) aeróbica, na presença de ar e oxigênio (própria das fibras musculares oxidativas), oxidando os carboidratos, gorduras ou proteínas em dióxido de carbono e água.
O metabolismo anaeróbio produz rapidamente pequenas quantidades de energia a partir somente da glicose ou glicogênio. A diminuição do pH pela produção de ácido láctico e a intensa utilização de glicose dentro da fibra muscular levam á produção de energia apenas para contração muscular de alguns minutos. Quando maior o esforço muscular, mais rapidamente este fenômeno ocorre, e junto  fadiga e exaustão. Por exemplo, o cavalo somente pode correr na sua velocidade máxima por 1000 metros, diminuindo a velocidade porque ocorre uma inadequada produção de energia através do metabolismo anaeróbio e a produção de energia via aeróbia não é rápida o suficiente para fornecer a energia necessária. Estas são características dos cavalos velocistas, como o quarto-de-milha e alguns PSI.
O metabolismo aeróbio produz grandes quantidades de energia de forma lenta, primeiramente através de ácidos graxos provenientes das gorduras, mas também através da glicose, glicogênio e proteína, conseguindo assim a produção de energia para atividades físicas prolongadas. No entanto, com o aumento do grau de atividade muscular, aumenta também a demanda de ATP, até exceder a produção pela via aeróbia. Neste momento a utilização mais rápida de energia se dá pela via anaeróbia para prevenir a depleção dos estoques de ATP e a falta de contração muscular.
Abaixo tabela com valores relativos às diferentes fontes de produção de energia paras as atividades musculares do cavalo atleta (em porcentagem %).
TIPO DE ATIVIDADE
Fosfato de Creatina
Glicolise Anaeróbia
Metabolismo Aeróbio




VELOCIDADE



Três tambores
95
4
1
Apartação
88
10
2
Corrida até 400 m
80
18
2




MÉDIAS DISTÂNCIAS



PSI



1000 m
25
70
5
1600 m
10
80
10
2400 m
5
70
25
3200 m
5
55
40
TROTE



1600 m
10
60
30
2400 m
5
50
45
Polo
5
50
45
Hipismo
15
65
20
Provas de marcha
10
40
50




FUNDO



Enduro
1
5
94
Equitação e Dressage
1
2
97





Para a atividade muscular, além do oxigênio, precisa haver grandes quantidades de nutrientes altamente energéticos. Estes são em primeiro lugar a glicose e os ácidos graxos, que são estocados nos músculos. A quantidade estocada bem como a velocidade com que serão utilizados, varia de acordo com as diferentes fibras musculares. Existem 3 tipos de fibras musculares: tipo I (contração lenta), tipo II A (contração rápida e alta oxidação) e tipo II B (contração rápida, baixa oxidação)
A tabela abaixo mostra as características das diferentes fibras musculares no cavalo atleta e sua presença em porcentagem em cada raça.
TIPO DE FIBRA MUSCULAR
I
II A
II B
CARACTERÍSTICAS



velocidade de contração
baixa
rápida
rápida
utilização de oxigênio
muito alta
alta
baixa
coloração
vermelha
vermelha
branca
quantidade de mioglobina
muito alta
alta
muito baixa
tamanho da fibra
muito pequena
média
comprida
contração máxima
pequena
média
grande
Estocagem de glicose
média
alta
muito alta
gasto de glicose
rápido
média
lento
estocagem de gorduras
muito alta
média
não considerável
densidade capilares
muito alta
média
muito baixa
duração da contração
muito alta
média
baixa




RAÇAS (% do total)



Enduro
40
55
5
Velocidade
6
54
40
Tração
30
35
35
Poneis
20
40
40
Trote
20
50
30
Arabe
20
50
30
PSI
13
53
35
Quarto-de-Milha
8
50
42

É possível determinar se um cavalo é um velocista, meio- fundista ou fundista. Para estas informações acessar o link abaixo.
https://8399602835960890140-a-1802744773732722657-s-sites.googlegroups.com/site/medvetsport/arquivos-tecnicos/0002classificando/0005Resultados.pdf?attachauth=ANoY7coKm6u9eNwlmQaFYCiDUtE_3stT-jnCxcSYfGNyvkpw97qskfRe6FM6Iwls7O3VzwH-BpsYuXv96NJi9U_QFI38JExAf3Woa9eXDVmpwyMyV_hMypwCGRWJ0VNnFaKx1XXJwmokCjPK85Q6L20crwL9hVIBLPt2JbN66nYRl9F6vyETf2BhxzjZWV8XDUC9zDESJ0eo_fb6uG4X39bp2YnzLLmKkNryWOKZZtCzyXYhXHO6xML0OSWNt-UZiu8PfwZYhsHD&attredirects=0

3 comentários:

  1. Muito bom os artigos e interessante adorei o blog,parabéns pelo trabalho.
    Hevelyn

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  2. Sou um novo criador de velocidade da Bahia. Seus artigos tem sido uma importante fonte de leitura.
    Parabéns pelo primoroso e objetivo trabalho.
    Bruno Brandão.
    Fazenda Vale Encantado, Brumado - BA

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