domingo, 6 de fevereiro de 2011

RHODOCOCCUS EQUI EM POTROS


INTRODUÇÃO

A infecção pela bactéria Rhodococcus equi em potros, é a causa mais comum de pneumonia em potros entre 3 semanas e 5 meses de idade. É uma bactéria gram positiva com capacidade de infectar o interior das células e outros órgãos além do pulmão.
 Apesar de ser encontrada no solo e fezes de todos os criatórios, ela pode ser endêmica e devastadora em alguns, esporádica em outros e desconhecida na maioria. Isto é causado pelas diferenças ambientais de cada criatório, como temperatura, ph e tipo de solo.


SINTOMAS

A manifestação mais comum é uma pneumonia com vários abcessos pulmonares. Dentre os sintomas, pode ocorrer febre, tristeza, prostração, potro para de mamar, tosse, aumento da freqüência respiratória ou pode não ocorrer ABSOLUTAMENTE nada. Por isso a alta mortalidade, o não reconhecimento a tempo de tratamento.
Além da forma pulmonar, 74% dos potros apresentam infecção por Rhodococcus equi em outros órgãos. A sobrevivência é maior em potros que apresentam apenas a infecção pulmonar do que nos que são acometidos também em outros órgãos.
Dentre essas infecções, 50% são intestinais (enterocolite, úlceras duodenais, absessos), de 25 a 30% são polissinovites, ou infecções articulares, e restantes 20 a 25% se dividem entre uveites, septicemia, osteomielite, pericardite, nefrite e absessos cerebrais e hepáticos.


DIAGNÓSTICO

O diagnóstico inclui análise dos sintomas e histórico da propriedade, hemograma completo e fibrinogênio, radiografia e ultrassonografia torácicas. A sorologia pode também ser realizada para se diferenciar pneumonia por Rhodococcus de outras bactérias. 
O diagnóstico definitivo, porém, só é realizada através de lavado traqueal e cultura em laboratório. A cultura de sangue geralmente é negativa.


TRATAMENTO

Devido á natureza resistente da bactéria, vários antibióticos não são efetivos em eliminar a infecção. O tratamento de eleição é a associação de dois antibióticos, a rifampicina (10 mg/Kg duas vezes ao dia) e eritromicina. Atualmente a eritromicina pode ser substituída pela azitromicina (10 mg/Kg uma vez ao dia) ou pela claritromicina na dose de 7,5 mg/Kg duas vezes ao dia (as três drogas pertencem ao grupo macrolídeos), sendo a última a mais efetiva contra o Rhodococcus equi.
Devido a poder ocorrer outra infecção, por vezes um terceiro antibiótico é requerido, podendo ser o ceftiofur ou a amikacina.
Infelizmente alguns efeitos colaterais severos ocorrem com o uso dos macrolídeos, como hipertermia e diarréia nos potros e enterocolite nas suas mães, podendo levar á morte.
Tratamento suporte deverá ser também utilizado, como antiinflamatórios, expectorantes e broncodilatadores.
A duração do tratamento varia de acordo com a resposta do potro á terapia instituída, podendo variar de 10 a 30 dias. O sucesso esperado atualmente é de 80% dos potros recuperados e 20% de óbito.

Protocolo de tratamento Dr Francisco Lança

- Medicação
2 comprimidos Azitromicina 500 mg para cada 100 Kg 1x/dia (oral) por 15 dias
4 cápsulas Rifaldin 300 mg para cada 100 Kg 2x/dia (oral) por 15 dias
3 ml Pulmoplus para cada 100 Kg 2x/dia (oral) por 15 dias
2 ml Banamine para cada 100 Kg 2x/dia (venoso) por 5 dias
2 ml Minoxel para cada 100 Kg 2x/dia (venoso) por 7 dias
Dose por Kg de Gastrozol 1x/dia por 15 dias

- Manejo
Manter o animal em tratamento protegido do sol durante o dia
Aferir temperatura 2x/dia (febre somente acima de 39°C)
Isolar de outros animais
Hemograma semanal
Ultrassonografia torácica a cada 3 dias
Auscultação torácica diária

PREVENÇÃO

   1) Diminuição da contaminação
- Diminuição da concentração de animais, evitando superpopulação.
- Manter potros a pasto e em locais bem ventilados evitando piquetes arenosos e secos.
- Remoção do esterco dos piquetes.
- Diminuição do numero de animais por lotes.
- Isolamento dos animais doentes.
- Acompanhamento do parto em local limpo

    2) Reconhecimento precoce da infecção
- Observação diária dos potros e sintomas clínicos
- Ultrassonografia torácica semanal com diagnóstico precoce da doença

    3) Imunização passiva
- Avaliar níveis de anticorpos ao nascimento através de testes específicos.
- Reposição de colostro de boa qualidade caso o da mãe não seja adequado em quantidade de anticorpos.
- Uso de plasma hiperimune em caso de falha na tranferência de anticorpos via colostro. Aplicar 1 litro 48 horas após o nascimento e repetir no 25° dia de vida.

   4) Imunização ativa
- Vacinação das éguas no último mês de gestação com bactrinas de Rhodococcus equi. Isso aumenta a quantidade de anticorpos contra o Rhodococcus equi no colostro da mãe.

:)