quinta-feira, 31 de maio de 2012

COMPOSIÇÃO DO LEITE DA ÉGUA: DIFERENÇAS ENTRE AS RAÇAS


Muitos pensam que a produção de leite de uma égua se limita á égua ser boa ou ruim “de leite”. O leite da égua não deve ser subestimado, sobretudo por ser o alimento inicial da vida de um potro e seu principal alimento durante os três primeiros meses de vida.
A égua precisa produzir leite suficiente para dobrar o peso do potro em 60 dias,com o risco de haver um crescimento fora de padrão.
Comparado com as outras espécies, o leite da égua é consideravelmente baixo em alguns componentes, como segue:

Espécie animal
Água (%)
Matéria seca (%)
Proteína (%)
Gordura (%)
Lactose (%)
Matéria mineral (%)
Vaca
87,8
12,2
3,5
3,5
4,5
0,8
Égua
90,0
10,0
2,2
1,1
6,1
0,5
Ovelha
82,5
17,5
6,5
6,1
4,5
1,0

O artigo tem como objetivo auxiliar o criador e principalmente quem se utiliza do programa de transferência de embriões, para ajustar receptoras ás necessidades nutritivas de cada raça específica.

A glândula mamária
A égua possui quatro glândulas mamárias ligadas ao corpo por ligamentos de sustentação. Elas não possuem pelos e são extremamente sensíveis para responderem á sucção do potro. Ao contrário dos outros mamíferos, o leite é secretado apenas por duas tetas ao invés de quatro como a vaca, ou seja, apenas uma saída para cada duas glândulas mamárias.
No seu interior, a glândula mamária é composta por alvéolos que produzem o leite e vários ductos ramificados e interligados entre si, que o depositam e armazenam logo abaixo, numa câmara, enchendo o úbere da égua. O leite é aí mantido por um esfíncter muscular que o impede de sair, somente no processo de mama pelo potro.
Durante a gestação, as glândulas mamárias se desenvolvem sob a ação do hormônio progesterona, até ao momento do parto, onde a produção de colostro torna o úbere visível. Elas seguem se desenvolvendo até seu nível máximo oito semanas após o parto, aumentando assim a produção de leite proporcional ao crescimento do potro.

A Formação do leite
Os constituintes do leite são captados da circulação sanguínea pelas células mamárias. Nestas células, estes componentes são transformados em lactose, gordura e proteínas e armazenados nos alvéolos junto com água. Á medida que a câmara de armazenamento se enche, aumenta a pressão dos ductos, deixando assim o leite pronto para o potro.
A taxa de produção é controlada por hormônios, que por sua vez são controlados pela quantidade de leite que o potro mama. Quando o potro começa a comer pasto ou ração, diminui a ingestão do leite e assim a sua produção também cai. Se o potro ficar sem mamar por 24 horas, a glândula mamária inicia seu retrocesso e mesmo voltando a mamar após esse período, os níveis de produção já não serão os mesmos.

A curva de lactação

A quantidade e a concentração de todos os componentes do leite afetam diretamente a intensidade e o crescimento correto dos potros. Durante toda a lactação, o leite da égua sofre variações de acordo com seu status fisiológico, como gestação e cio.
A produção de leite aumenta em quantidade até os 60 dias de lactação, onde ocorre o pico lactacional. Após esse período, a produção de leite começa a cair juntamente com sua quantidade de nutrientes até atingir níveis mínimos de qualidade, ocasionando o desmame e o cessamento na produção.
Quanto mais cedo o potro iniciar a comer, também mais cedo diminui a produção do leite.

Os nutrientes do leite

Os nutrientes do leite variam na sua concentração de égua para égua e de raça para raça. Vários são os constituintes do leite, mas o foco deste artigo serão apenas os principais, sendo matéria seca, gordura, proteínas (caseína), lactose (principal açúcar) e matéria mineral (Cálcio e Fósforo).
Abaixo segue tabela comparativa entre as diversas raças encontradas no Brasil e as mais utilizadas para transferência de embriões.

Raça
Produção (Kg/dia)
Matéria Seca (%)
Gordura (%)
Proteína (%)
Lactose (%)
Matéria Mineral (%)
Cálcio (mg/Kg)
Fósforo (mg/Kg)
Quarto-de-Milha
11,8
10,8
1,4
2,4
5,8
0,6
787
504
Puro Sangue Inglês
14,9
11,8
2,1
2,3
6,52
0,68
843
543
Puro Sangue Lusitano
12,2
12,8
2,4
2,00
5,5
0,4
962
580
Puro Sangue Árabe
9,2
11,1
1,74
2,76
6,2
0,32
913
732
Mangalarga
9,5
10,2
1,6
1,9
6,5
0,35
-
-
Bretão
17,7
11,3
3,4
2,3
6,9
0,2
102
63