quarta-feira, 14 de agosto de 2013

ULTRASSONOGRAFIA DO TÓRAX: uma arma contra o RHODOCOCCUS EQUI em potros



                                                                                                INTRODUÇÃO
 
Rhodococcus equi (R. Equi) é uma causa importante da pneumonia em potros entre 3 semanas e 5 meses de idade. Está presente no ambiente da maioria dos haras. As taxas de mortalidade e morbilidade são altas em fazendas endêmicas. Os métodos para o controle e prevenção do R. equi ainda não são bem compreendidos. Não existem vacinas totalmente eficazes disponíveis. A única estratégia profilática comprovadamente eficaz é a administração de plasma hiperimune. Os tratamentos com antibióticos para esta doença são caros, prolongados, associados com os efeitos adversos, e podem não ser bem sucedidos. A doença também pode ocorrer em cavalos adultos. Comercialmente as fazendas que tem a fama de ter a doença podem sofrer PERDA DE CLIENTES. A confirmação da doença geralmente requer o isolamento do R. equi usando aspiração transtraqueal e evidência radiográfica de abcessos pulmonares. No entanto, o exame radiográfico do tórax não é um teste de diagnóstico para a prática profissional de campo.
Devido á prevenção completa da doença não ser possível, o controle do R. equi em fazendas afetadas depende de estratégias para diminuir a incidência da doença. A ULTRASSONOGRAFIA TORÁCICA  tem demonstrado ser um meio de diagnóstico EXATO para a detecção da patologia pulmonar atribuída ao R. equinem potros quando a radiografia torácica quando não está disponível.

     METODOLOGIA
A ultrassonografia poderá ser realizada a campo com o transdutor linear retal entre 5,0 a 7,5 Mhz. Os potros são examinados a partir dos 15 dias de vida e sempre quinzenalmente até o desmame.
No exame, iremos procurar evidências de abcessos e líquido pulmonar, característicos de pneumonia por R. Equi. Estes abcessos são de vários tamanhos e podem ser encontrados em qualquer local do pulmão. Outra observação é que cerca de 50% dos potros positivos NÃO APRESENTAM sintomas da doença, podendo esta se agravar caso não seja atendido o paciente a tempo. Esta é a pneumonia sub-clínica.


CLASSIFICAÇÃO DA PNEUMONIA
As lesões encontradas são classificadas segundo o seu tamanho como segue.
Abcesso GRAU 5
Grau 0 – sem lesões
Grau 1 – lesões menores de 1 cm
Grau 2 – lesões entre 1 e 2 cm
Grau 3 – lesões entre 2 e 3 cm
Grau 4 – lesões entre 3 e 4 cm
Grau 5 – lesões entre 4 e 5 cm
Grau 6 – lesões entre 5 e 6 cm
Grau 7 – lesões entre 6 e 7 cm
Grau 8 – lesões entre 7 e 9 cm
Grau 9 – lesões entre 9 e 11 cm
Grau 10 – todo o pulmão afetado

      TRATAMENTO
Todos os potros positivos devem ser tratados com os antibióticos necessários e de eleição que são Azitromicina, Claritromicina e Rifampicina.

RESULTADOS DA PREVENÇÃO
A ultrassonografia torácica é um método fácil e rápido, e os resultados são     instantâneos. Uma das dificuldades associadas com o tratamento é saber quando o tratamento deve ser descontinuado. Os potros  muitas vezes parecem clinicamente melhor muito antes de os abscessos regredirem, e interromper o tratamento leva a recaídas. Sabe-se que até 50% dos potros são subclinicamente afetados. Com a ultrassonografia de diagnóstico seguida de tratamento  a incidência subclínica caiu para 31% e a doença clínica caiu para 0%. Portanto, a diminuição de infecções subclínicas está associada com o tratamento destes potros e a excreção fecal de R. Equi diminuída. A implementação da ultrassonografia torácica em fazendas endêmicas é ALTAMENTE EFICAZ, porque os potros que foram diagnosticados como grau 0 não desenvolveram a doença clínica. As fazendas em que a ultrassonografia torácica foi implementada não tiveram mortalidade e houve  uma acentuada redução da doença clínica associada ao R. equi.
A ultrassonografia torácica é um diagnóstico prático, rápido, preciso e útil na triagem de R. equi. Além disso, os graus de lesões pulmonares devem ser rotineiramente empregados quando do monitoramento dos tratamentos.