Durante a temporada de monta, é comum os veterinários se depararem com alguns problemas relativos ás éguas que poderão atrasar e até comprometer toda uma estatística reprodutiva. Ao longo da atual temporada, dois potenciais problemas estão ocorrendo em nossas atividades reprodutivas: o anestro, ou a falha da égua em mostrar cio e ciclar regularmente, mesmo após o parto, e a presença cada vez maior de gêmeos no diagnóstico de gestação.
ANESTRO
- Anestro é considerado o período no qual não existe atividade ovariana, ou seja, não há formação de folículos de tamanho suficiente para a égua entrar em cio.
- Pode ocorrer em éguas vazias e sem potro, denominado anestro transicional, período de transição entre uma fase não cíclica e cio, ou após o parto, denominado lactacional.
- As causas são as mais variadas, mas está diretamente associado com pouca exposição prévia á luz diária, freqüentes inversões bruscas de temperatura e nutrição inadequada, que inibem a produção e liberação de hormônios em glândulas cerebrais (hipotálamo e hipófise).
- Os tratamentos sugeridos são:
Pode-se também utilizar as máscaras de luz EQUILUME, luz LED que permite a égua ficar solta no pasto.
2) Estimulação química através de GhRH sintético: o uso deslorelina, na dose de 1 mg/dia e quando na presença de folículos maiores que 20 mm, leva ao início das atividade ovarianas em 60% das éguas tratadas, num prazo de 15 a 20 dias
3) Bloqueio com progesterona: poderá ser utilizado este hormônio para evitar a liberação em pequenas quantidades do hormônios FSH e LH. É usada na forma oral ou injetável durante um período mínimo de 11 dias. Após, haverá descarga de hormônios armazenados em quantidades suficientes para a égua iniciar sua atividade ovariana. Este tipo de tratamento é utilizado para o anestro transicional ou quando durante o anestro são diagnosticados folículos maiores que 25 mm.
4) Antagonistas de receptores neuronais: a domperidona e sulpirida aumentam a secreção de GnRH natural, fazendo com que haja produção e liberação dos hormônios FSH e LH, ou seja, o primeiro promove a formação e crescimento folicular e o segundo é responsável pela maturação do óvulo e ovulação. O resultado positivo ocorre entre 12 e 22 dias após o início do tratamento. Caso não ocorra o cio descartar o tratamento e utilizar o descrito abaixo.
5) A combinação dos tratamentos químicos com a luz artificial é o que resulta em melhores resultados a curto prazo. Para anestro lactacional o melhor resultado tive com o uso de 2 comprimidos de EQUILID (uso humano) 1x/dia até a égua abrir cio (média de 12 dias após o início do tratamento)
PRENHEZ GEMELAR (Gêmeos)
- A presença de gêmeos na gestação da égua é indesejável, pois é causa de aborto de ambos ou nascimento de potros dismaturos e de baixo padrão, não compatível com o desempenho futuramente requerido nas pistas. Isto é causado pela diminuição da área de circulação sanguínea em cada placenta, reduzindo o envio de nutrientes, e pela falta de espaço no abdômen da égua para gerar dois fetos normais.
- São conhecidos por todos 3 itens diretamente ligados á prenhez gemelar: ocorre de maneira geral sempre nas mesmas éguas, grande incidência de dupla ovulação nas éguas PSI e quanto maior a fertilidade do garanhão maior o índice de ocorrência. Somado a isto, o uso de hormônios indutores de ovulação, que permitem a ovulação de vários folículos, se presentes, mesmo com dimensões não apropriadas.
- É de salientar que existe apenas um óvulo por folículo, então a presença de gêmeos implica em, no mínimo uma dupla ovulação, podendo ser no mesmo ovário ou uma em cada um. Gêmeos idênticos são raríssimos.
- A maior causa de falha em diagnosticar gêmeos são as ovulações assincrônicas, que ocorrem com 1 a 5 dias de diferença uma da outra, levando ao erro ou á não detecção do segundo embrião.
- Após diagnosticados, os possíveis procedimentos seguem abaixo
1) Não fazer nada: a égua PSI tem uma certa eficiência (até 36%) em reduzir a prenhez gemelar a apenas uma. No entanto isto envolve uma série de fatores, principalmente a idade gestacional no momento do diagnóstico. Se maior que 40 dias, é aconselhada a espera pela redução espontânea. Outros fatores a ser avaliar seriam a disparidade entre as dimensões das vesículas e a orientação das mesmas no útero.
2) Diagnóstico e redução antes dos 16 dias: é indicado o esmagamento de uma das vesículas, de preferência a menor, através de procedimento manual via retal. O autor é da experiência que os melhores resultados são obtidos com esmagamento aos 14 dias pós-ovulação. Taxa de sucesso de 95%.
3) Diagnóstico e redução após os 16 dias e até 40 dias: após as vesículas terem se fixado, ocorrem duas situações: (a) vesículas justapostas (prenhez unilateral) e (b) vesículas separadas, uma em cada corno uterino. No primeiro caso, poderemos esperar até 30 dias a redução espontânea e se não ocorrer, se induz quimicamente a expulsão de ambas, pois após esta data, a égua demorará a ciclar novamente. No segundo caso, o esmagamento poderá ser feito até no máximo os 45 dias, pois acarretará em grande inflamação uterina e morte do embrião adjacente A taxas deste método são de 40% se realizada até 35 dias e de 20% entre os 35 e 45 dias. Outra opção é a de aspirar o líquido de uma das vesículas através de infiltração de cânula via vaginal com taxa de sucesso de 20%. É de salientar que a égua que perde seu concepto após os 36 dias de prenhez tem seu ciclo estral interrompido durante a temporada de monta, devido á formação de glândulas no útero durante a prenhez.
4) Diagnóstico e redução após os 45 dias e até 100 dias: as opções de procedimentos são (a) aguardar resolução espontânea até os 60 dias, (b) ruptura ou trauma manual das membranas com chances de até 50% de sucesso de manutenção da prenhez única aos 100 dias. Taxa de perda da prenhez de apenas 5%. A técnica mais recente é a de literalmente decapitar manualmente um dos fetos via laparotomia de flanco ou via retal, com taxa de sucesso de apenas um potro nascido variável de 25 a 64%.
5) Diagnóstico e redução após os 100 dias: aplicação via cirúrgica de injeção letal no coração do feto de cloreto de potássio, com taxa de sucesso de 40% ou penicilina procaína, com taxa de sucesso de 59%.
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