O que as três situações abaixo
tem em comum:
1) Você
volta com o seu cavalo de uma prova após uma competição frustrante. O seu
cavalo de elite não correspondeu ás expectativas. Durante a prova olhava raramente para os flancos e
sentia-se desconfortável.
2) A
sua potra preferida acabou de ser desmamada. Antes forte e robusta, agora está
magra e fraca, e sem apetite.
3) O
seu cavalo de passeio, mesmo em bom pasto, teve início de laminite que foi
resolvida com tratamento. Sempre dedicado, agora ele mostra sinais de dor
quando é montado, a pelagem feio e aparenta estar deprimido.
O que é mais surpreendente é que
apesar de todos estes sinais apontarem uma série de problemas, estes três
animais podem ser diagnosticados com a mesma doença: a síndrome da úlcera
gástrica equina. Cerca de 92% dos cavalos de corrida são acometidos desta
síndrome e 25% dos potros antes dos 2 meses de idade.
Histórico e sinais
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| Estômago normal |
As úlceras gástricas não se restringem apenas ao estômago mas também
afetam o intestino delgado. Elas ocorrem quando partes destes órgãos se tornam
muito ácidas, causando lesão nas células. O ácido para digestão no cavalo é
produzido constantemente, ao contrário de nós, que o produzimos apenas quando
comemos. O cavalo produz em média 1,5 litros deste ácido por hora, devido a ser
um animal de pastoreio, que deve comer constantemente.
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| Ulcera |
Os cavalos submetidos a mais estresse são os mais acometidos. Os
sintomas são os mais variados, como perda de apetite, bruxismo, salivação
excessiva e diarreia em potros e anorexia, perda de peso, diminuição do
desempenho, tendência a permanecer deitado, pelo arrepiado e episódios de
cólica em adultos.
O diagnóstico é feito através de endoscopia gástrica, onde são
visualizadas as úlceras e pelos próprios sintomas.
Causas
Existem várias causas que
predispõem os cavalos a úlceras gástricas. Algumas podem ser manejadas, outras
são de origem genética e muito difíceis de tratar. Os três principais fatores
são:
1) O
regime alimentar, como o tipo de alimento e frequência de fornecimento. Cavalos
que tem poucas refeições diárias e ricas em carboidratos são mais susceptíveis,
pois grãos como milho e aveia levam a grande produção de ácido para sua
digestão. Cavalos a pasto ou que comem livremente tem menos incidências de
úlceras.
2) O
treinamento e exercício também podem contribuir com a presença de úlceras
gástricas. O exercício intenso também leva á produção excessiva de ácido
gástrico. Isto ocorre, pois ocorre uma diminuição do fluxo sanguíneo no
estômago, associado a uma pressão abdominal, levando o conteúdo gástrico a
subir para as partes desprotegidas do estômago. O aumento muito rápido da
atividade física do cavalo também leva á mesma situação, já que causa altos
níveis de estresse, que aumentam a produção de ácido, diminuem o fluxo
sanguíneo e o esvaziamento gástrico, causando úlceras.
3) Algumas
medicações causam úlceras, como os antinflamatórios (fenilbutazona, flunixim
meglumine), pois diminuem a produção do muco protetor da parede do estômago.
Tratamento
Existem vários
medicamentos que podem ser utilizados para tratar as úlceras, entre eles os que
bloqueiam a produção de ácido (ranitidina, cimetidina), os inibidores da bomba
de prótons, que também bloqueiam a produção de ácido, mas por tempo mais
prolongado (omeprazole).
O melhor
tratamento nos primeiros dias é utilizar ambos e após apenas o omeprazole, que
é o mais eficaz para o tratamento da úlcera gástrica.
Medicamentos
antiácidos e protetores de mucosa podem ser usados juntos com o omeprazole,
pois promovem alicio contra a acidez e protegem a mucosa contra o ácido.
Alterar a
alimentação também é uma forma de tratamento. Dietas ricas em fibras e baixas
em carboidratos promovem um pH apropriado no estômago. Manter alimento
constante durante o dia também reduz as chances de úlcera. O uso de feno de
alfafa é ótimo para a proteção gástrica. Cavalos que necessitem de mais calorias
para trabalho deverão utilizar dietas ricas em óleos e gorduras, pois diminuem
a acidez estomacal.
Prevenção
As úlceras são
essencialmente uma doença de manejo. No entanto, os cavalos mantidos na mais
ideal das condições podem adquirir úlceras. O melhor manejo a ser feito é
manter os animais a pasto o mais permanentemente possível e/ou manter uma dieta
rica em feno. As refeições diárias deverão ser no maior número possível dentro
da condições de cada proprietário.
Quanto aos animais
em treinamento, bons programas de adaptação e transportes são fundamentais,
assim como evitar o overtrainning, evitando consequentemente o uso de medicação
antinflamatória.
Alguns cavalos são
mais predisponentes do que outros. As úlceras podem ser evitadas com condições
alimentares e de treinamento corretas, cabe a cada responsável utilizar os
métodos adequados para não ocorrer esta síndrome, que mesmo tratada, pode
voltar sempre pelos mesmos motivos.
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